Tudo o que se passa no mundo da tecnologia digital, especialmente com a IA, dava um caso de estudo sobre como fazer marketing agressivo e manipulação de massas. A última jogada foi tirada do capítulo dedicado aos cultos dos últimos dias: o que nos querem vender é tão eficaz que nos irá matar até 2030.
No arsenal de qualquer marketeiro que se preze, existem armas para criar uma maior sensação de urgência no público-alvo. O belicismo da linguagem é propositado, porque estamos a entrar num registo mais agressivo de persuasão. A extrema-direita actual – que tem mais de marketing que de ideologia – é perita nisso: basta criar choque, urgência, vitimizar-se, apontar um culpado fácil, exagerar consequências e exigir acções desproporcionadas. No final, recolher os louros da hipocrisia.
Curiosamente (ou não), os bilionários tech overlords também parecem usar este manual. Se, antes, o tema era que a IA conseguia coordenar ataques informáticos de forma autónoma, agora parece que o fim do mundo está para breve e que será à custa da tecnologia que os novos senhores do mundo criaram. E foram eles próprios que o denunciaram: Amodei, Musk, Altman. Curiosamente, os que têm mais a ganhar com a valorização da IA.
Para quem já passou por tantas datas definitivas para o Apocalipse, deixem-me ser um pouco cínico. A ideia de um fim do mundo próximo gera choque e urgência. É claro que a culpa não é de quem está a empurrar a causa do Armagedão pela goela abaixo de todos os dispositivos que existem, mas da China. É preciso mais dinheiro, mais data centers, menos regulação. Menos direitos civis, já agora.
A Anthropic criou um sistema de previsão de crime (estilo ‘Minority Report’) para detectar opositores à IA, porque até uma opinião livre terá de ser gerada por um LLM. Obviamente, este sistema serve apenas os propósitos de segurança de alguns, senão Amodei, Musk e Altman estariam com problemas.
Acho que não vale a pena entrar em modo Sarah Connor. Ainda. Mas rever todos os ‘Terminator’ não fará mal.

Dos textos mais estupidos que li …..