A criadora do modelo de inteligência artificial Claude entregou oficialmente um pedido de entrada na bolsa de valores. A empresa submeteu o formulário S-1 à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos e planeia integrar as suas acções no índice Nasdaq sob o símbolo ANT. Embora o preço final das acções ainda esteja por definir, as estimativas apontam para uma angariação de capital que pode atingir os 100.000 milhões de dólares (cerca de 90.000 milhões de euros), com o processo a ficar concluído antes do feriado de Acção de Graças.
Os dados financeiros presentes no documento mostram um crescimento avassalador. A Anthropic gerou 16.300 milhões de dólares (aproximadamente 14.670 milhões de euros) em receitas durante o primeiro semestre de 2026, um salto gigantesco face aos 1.200 milhões de dólares (cerca de 1.080 milhões de euros) registados no mesmo período do ano anterior. O segundo trimestre destacou-se com um aumento de receitas de 1.368%, enquanto as despesas de infra-estrutura cresceram apenas 300%. O modelo Claude Opus 5.5 reduziu os custos por tarefa em cerca de 40% em comparação com a versão anterior, o que ajuda a explicar este equilíbrio financeiro. A adopção empresarial impulsiona estes números, com mais de metade da lista Fortune 500 a utilizar os serviços da tecnológica, numa fase em que a Anthropic apresentou um o novo agente virtual para complementar a sua oferta.
Riscos e perdas no papel
Apesar das receitas expressivas, a documentação revela um prejuízo líquido de 80.700 milhões de dólares (cerca de 72.630 milhões de euros) no primeiro semestre. O site Tom’s Hardware sublinha que este valor não representa dinheiro efectivamente gasto na operação, mas sim ajustes contabilísticos relacionados com notas de investidores, como a Amazon, que se transformarão em acções. O custo real de manutenção do negócio gerou uma perda muito menor, fixada em 693 milhões de dólares (cerca de 623 milhões de euros).
O relatório submetido aos reguladores inclui também avisos claros aos futuros investidores. A empresa alerta que o ritmo de crescimento das receitas pode não ser sustentável a longo prazo e destaca que os modelos avançados de inteligência artificial podem representar riscos catastróficos ou existenciais para a humanidade, caso desenvolvam capacidades perigosas ou comportamentos enganosos difíceis de controlar.
