O projecto do Euro digital acabou de dar um passo decisivo. A Comissão dos Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou a criação desta moeda virtual com 43 votos a favor e 14 contra. A versão digital da moeda europeia foi desenhada para facilitar transacções rápidas, seguras e privadas em toda a zona euro.
O fim da dependência norte-americana
Um dos grandes objectivos desta iniciativa passa por reduzir a dependência europeia face às gigantes norte-americanas das redes de pagamento, nomeadamente a Visa e a Mastercard. A preocupação com a soberania europeia e a privacidade não é nova, um estudo publicado recentemente indica que os utilizadores europeus preferem afastar-se de empresas que alojam informação nos Estados Unidos.
Todas as empresas a operar na União Europeia, independentemente da sua dimensão, vão ser obrigadas a aceitar pagamentos em euros digitais. A única excepção aplica-se às microempresas que ainda não aceitam outras formas de pagamento digital. Embora a moeda seja pensada para os cidadãos europeus, os turistas que visitem o espaço comunitário também vão ter a possibilidade de a utilizar.
Privacidade e pagamentos sem ligação à Internet
O Parlamento Europeu sublinha que o Euro digital pode ser utilizado para fazer pagamentos a comerciantes de duas formas distintas:
- Pagamentos online: Vão ser processados através de um sistema baseado em contas, a garantir a máxima segurança e rapidez nas transacções diárias feitas através da Internet.
- Pagamentos offline: Vão funcionar de forma muito semelhante ao dinheiro físico, com as transferências a acontecerem directamente através de dispositivos de armazenamento local, como os smartphones, sem necessidade de ligação à rede.
A União Europeia sublinha que a moeda foi desenhada com um forte foco na privacidade, ao utilizar encriptação e tecnologias avançadas como as provas de conhecimento nulo. O protocolo de autenticação vai permitir verificar as transacções sem expor dados pessoais ao comerciante, ao Banco Central Europeu ou a qualquer agência governamental.
Custos de utilização e calendário de lançamento
A utilização do Euro digital vai ser totalmente gratuita para os consumidores. Os comerciantes terão de pagar taxas ao Banco Central Europeu por cada transacção, mas a expectativa é que estas comissões sejam inferiores às cobradas pelas actuais líderes de mercado. As instituições financeiras também vão ser compensadas pelo seu papel no sistema, embora os detalhes finais ainda estejam a ser definidos.
O calendário já está traçado. O Parlamento Europeu deve formalizar a aprovação durante uma votação em Estrasburgo no próximo mês. Depois disso, o Banco Central Europeu vai iniciar negociações com os 27 estados-membros para chegar a um consenso até ao final do ano.
Assim que as formalidades estiverem concluídas, está planeado um projecto-piloto de doze meses que pode começar na segunda metade de 2027, antes do lançamento oficial em 2029. Depois do lançamento, bancos, estações de correios e operadores de carteiras digitais vão poder distribuir a nova moeda.