A Comissão Europeia e o consórcio SpaceRISE assinaram um acordo de implementação para avançar com a constelação de satélites IRIS², passando o projecto da fase de planeamento para a instalação à escala real. De acordo com o comunicado da Comissão Europeia, este novo entendimento adiciona 66 satélites à constelação original, elevando o total para 348 equipamentos no espaço.
Foco na segurança e defesa
A expansão tem como objectivo principal aumentar substancialmente a capacidade da rede para fins governamentais e de defesa. A arquitectura revista vai proporcionar mais 60% de capacidade de comunicações seguras para os governos dentro da União Europeia e mais 54% a nível global. Os satélites já previstos na constelação base vão receber funcionalidades adicionais e características de segurança reforçadas, enquanto as 66 novas unidades vão operar numa órbita terrestre baixa superior. No total, a rede vai integrar 330 satélites em órbita terrestre baixa e 18 em órbita terrestre média, com os primeiros lançamentos agendados para 2029.
O sistema IRIS² (Infra-estrutura para Resiliência, Interconectividade e Segurança por Satélite) assume-se como a principal aposta da União Europeia para garantir uma conectividade segura. A ideia passa por dar aos governos europeus uma alternativa autónoma a redes estrangeiras. Não é um movimento isolado no panorama geopolítico, visto que a Rússia também prepara uma infra-estrutura espacial própria para os próximos anos.
Um investimento de peso
O contrato de concessão de 12 anos foi assinado em dezembro de 2024 com o consórcio SpaceRISE, um grupo que junta operadores europeus de satélites como a SES, a Eutelsat e a Hispasat. Estas empresas estão a construir e a operar o sistema numa parceria público-privada ao lado de fabricantes como a Airbus Defense and Space, a Thales Alenia Space, a OHB e a Aerospacelab.
Inicialmente, o projecto tinha um custo estimado de 10,55 mil milhões de euros. No entanto, o calendário acelerado e o aumento da constelação empurraram este valor para cima. O investimento total planeado ultrapassa agora os 15,6 mil milhões de euros, financiados pelo orçamento da UE para 2028–2034, pela Agência Espacial Europeia (ESA), pelos parceiros do consórcio e pelos Estados-Membros.
Alternativa estratégica
Embora o IRIS² seja frequentemente visto como a resposta europeia à rede de Elon Musk, o seu propósito é bastante mais específico. A União Europeia quer um sistema de comunicações controlado de forma independente, capaz de permanecer disponível quando as redes terrestres falham, mesmo em países com infraestruturas avançadas, como Portugal, que regista uma forte adopção das redes móveis de quinta geração.
Por outro lado, a rede da SpaceX tem um foco essencialmente comercial, direccionado para o consumidor final, e continua a somar milhões de utilizadores e a prometer velocidades superiores em todo o mundo. O IRIS², uma vez operacional, vai fornecer conectividade soberana e encriptada a utilizadores governamentais autorizados, serviços de emergência e protecção de infraestruturas críticas, reservando também alguma capacidade para cidadãos em áreas com fraca cobertura.
