A AMD alcançou recentemente um novo marco histórico no mercado de processadores x86. De acordo com os dados referentes ao primeiro trimestre de 2026, a empresa detém agora 38,1% das receitas globais deste segmento. Este cenário parece mais uma vitória clara para a marca, especialmente devido aos ganhos substanciais no mercado dos servidores, mas existe uma ressalva surpreendente no que toca aos computadores de secretária, onde a fabricante acabou por perder terreno.
Os números publicados pela Mercury Research, indicam que 46,2% das receitas da empresa vieram do mercado de processadores x86 para servidores, estabelecendo um novo recorde para a empresa. A quota de unidades vendidas neste sector subiu para 33,2%, o que sublinha a forma como a linha Epyc continua a ganhar tracção nas infraestruturas de inteligência artificial, na nuvem e nas empresas.
A diferença entre a quota de receitas e a quota de unidades sugere que a fabricante está a ter um desempenho particularmente positivo nos chips de servidor de maior valor, em vez de se limitar a enviar peças de baixo custo. Este factor ajuda a explicar o motivo pelo qual a quota global de receitas x86 da AMD continua a subir. A empresa passou anos a conquistar espaço nos mercados mais lucrativos da Intel, e a forte procura por inteligência artificial tornou os processadores para servidores com muitos núcleos e margens elevadas ainda mais importantes. A Intel ainda lidera o mercado global de servidores x86, mas a sua principal concorrente está agora muito mais próxima do que em qualquer outro momento da era moderna dos chips Epyc.
O contraste nos computadores de consumo
No segmento dos clientes de consumo, os resultados mostram uma realidade mista. A quota global de unidades de cliente da AMD subiu para 29,6%, um aumento face aos 29,2% registados no último trimestre de 2025 e aos 24,1% do ano anterior. Este valor ainda deixa a Intel com 70,4% do mercado de computadores de consumo, mas a direcção de crescimento anual é evidente.
No entanto, é no segmento dos computadores de secretária que os números vacilam. A quota de unidades de desktop da AMD caiu para 33,2% no primeiro trimestre, uma descida em relação ao recorde de 36,4% do trimestre anterior. A quota de receitas neste formato também escorregou para 37,6%, abaixo dos cerca de 42,5% registados no final do ano passado. Embora continuem a ser resultados fortes em comparação com o mesmo período do ano passado, a queda trimestral destaca-se.
Por outro lado, os portáteis revelaram-se um ponto muito mais positivo para a empresa liderada por Lisa Su. A quota de unidades móveis subiu para 28,3%, enquanto a quota de receitas móveis atingiu 28,9%. Estes dados sugerem que a marca está finalmente a avançar num mercado onde a Intel tem dominado tradicionalmente.
A concorrência aperta o cerco
Os números da Mercury Research contrastam ligeiramente com o inquérito mais recente da plataforma Steam, onde os ganhos de processadores da AMD entre os utilizadores estagnaram. Os participantes a usar chips da marca subiram apenas 0,01% em Abril, deixando a empresa cerca de 11% atrás da Intel, após mais de um ano de progresso constante. Embora o Steam não seja uma análise de quota de mercado, o momento é interessante, uma vez que os jogadores continuam a preferir os chips X3D da AMD, mas a chegada dos processadores Core Ultra 200 Plus da Intel em Março recebeu críticas muito positivas.
O mercado continua altamente dinâmico e a concorrência não dá tréguas. Enquanto a Intel e a Nvidia preparam uma solução conjunta para desafiar a rival, a AMD precisa de equilibrar o sucesso estrondoso nos servidores com estratégias renovadas para não perder o ímpeto nos computadores de secretária.