A Lampsy Health criou um candeeiro “normal” que pode estar em cima de uma cómoda, mesa ou prateleira, integrado na decoração da casa, e que monitoriza crises convulsivas ligadas à epilepsia. Isto sem a necessidade de o paciente «meter qualquer sensor na pele ou adicionar um passo extra à sua rotina», explica Vicente Garção, co-fundador e CEO da startup.
O responsável esclarece que o Lampsy «utiliza uma pequena câmara e usa um algoritmo de IA e visão computacional para detectar movimentos que podem ser indicativos de crises convulsivas». A privacidade é «desenhada de raiz», já que, com o modo de privacidade ligado, todo o processamento acontece localmente. «Apenas os dados de movimento» são recolhidos e a imagem é apagada «de imediato, sendo que nenhum vídeo sai do dispositivo».
Quando detecta crises, o Lampsy «alerta de imediato os contactos de emergência definidos, através de chamadas telefónicas e notificações na app, para que a ajuda chegue», acrescenta o empreendedor. É possível «manter as funcionalidades de vídeo activas e cada evento fica automaticamente gravado no diário pessoal, para rever, guardar e partilhar com quem for preciso através da app Lampsy; partilhar acessos com outros cuidadores, gerir os contactos de emergência, entre muitas outras funcionalidades. É sempre a família a escolher o que faz sentido para si», destaca Vicente Garção.
Invisível e reduz falsos alarmes
As grandes mais-valias da solução são que «não parece um dispositivo médico, não está sempre à vista a lembrar a doença e ajuda a reduzir o estigma social que muitas pessoas com epilepsia ainda experienciam». Além disso, «ajuda a reduzir a ansiedade» dos familiares que não podem estar «fisicamente presentes e reduz a necessidade de estar sempre no mesmo espaço das pessoas, dando mais independência a todos».
A Lampsy Health focou-se em mitigar os falsos alarmes, que são a causa do abandono da utilização de dispositivos médicos, como salienta o CEO: «Estudos demonstram que um alto número de falsos alarmes reduz a predisposição para utilizar dispositivos de monitorização a longo prazo. A nossa tecnologia foi não só desenhada para ser extremamente precisa, detectando 99% dos movimentos que podem ser indicativos de crises convulsivas, mas fazendo-o com apenas 0,05 falsos alarmes/dia, garantindo que, quando um alerta é emitido, a ajuda é realmente necessária».
A ideia de criar o Lampsy ocorreu durante «o mestrado em Engenharia Biomédica» do co-fundador no Instituto Superior Técnico, quando médicas do Hospital de Santa Maria lançaram um desafio real de «criar uma solução que respondesse aos desafios enfrentados pelos pacientes», revela Vicente Garção. Além da tese, fez também um «doutoramento à volta da tecnologia do que viria a ser o Lampsy» e, em 2024, o empreendedor decidiu «transformar todo o conhecimento numa startup» e juntou-se a Leonor Pereira, que tinha «experiência em IA na Unbabel».
Crescer na UE
A Lampsy Health tem oito colaboradores e, neste momento, está a «preparar uma ronda de financiamento para suportar a entrada no mercado» e para aumentar a equipa, nomeadamente nas «áreas das operações e das vendas».
Sobre o lançamento no mercado, o responsável avança que têm «uma lista de espera de mais de cinco mil pessoas interessadas no Lampsy, a nível mundial, mas sobretudo na Europa e no Reino Unido, os mercados-foco» da startup. O lançamento está previsto para acontecer em «Setembro na União Europeia, e alguns meses mais tarde no Reino Unido».
No mercado nacional, o Lampsy já está a ser usado, como adianta o responsável: «Em Portugal já contamos com uma rede de médicos que reconhece o valor da solução, o que é fundamental tanto para a confiança das famílias, dado que vem da recomendação de um médico em quem confiam, como dos próprios médicos, para recomendarem a nossa solução com confiança, sabendo que poderá trazer valor para os seus pacientes».
A longo prazo, o objectivo é claro: «Tornarmo-nos líderes globais na monitorização invisível de doenças crónicas. Continuam a existir muitas doenças crónicas sub-monitorizadas que afectam grande parte da população; a apneia do sono é um bom exemplo disso. Assim, pretendemos ajudar milhões de famílias a monitorizar doenças crónicas em todo o o mundo».
