A Mena.ai nasceu porque um dos fundadores, Francisco Ribeiro e Silva, teve «um caso muito próximo na família» que o «alertou para os problemas da saúde mental». O empreendedor decidiu fazer a tese de mestrado sobre «um agente de IA de suporte terapêutico, disponível 24/7, mas com o psicólogo a validar tudo o que era analisado». Este sistema foi alvo de um paper que foi submetido à conferência internacional ICT4AWE 2025 e ganhou um prémio. Foi nesse momento que Francisco Ribeiro e Silva percebeu que dali «podia nascer um sistema de suporte à psicologia» e criou, com Pedro Maria Rodrigues, a Mena.ai.
A missão é «libertar os profissionais de saúde mental das tarefas administrativas, dando-lhes a infraestrutura tecnológica e clínica para que se foquem no que não pode ser substituído: a relação com os seus pacientes». Para além disso, a startup quer «tornar a terapia num cuidado contínuo, em vez de um cuidado episódico».
Uma solução abrangente
O CEO e co-fundador da Mena.ai explica à PCGuia como tudo funciona: «Temos uma plataforma para os profissionais que agrega todos os serviços de uma clínica: agendamento, videochamadas, pagamentos, facturação ligada à AT e fichas de clientes, com um agente de IA que corre localmente na nossa infraestrutura, tem acesso aos dados e assiste o profissional». A startup estima «uma poupança de pelo menos duas horas por dia nestas tarefas, graças às automações e aos processos de IA da plataforma».
Além disso, há uma aplicação para os pacientes, «onde estes podem não só agendar e pagar as consultas, como registar o seu estado emocional e realizar os “TPC” propostos pelos terapeutas». Por outro lado, a plataforma foi classificada como «psychological by design» (designação dada pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, quando a Mena.ai apresentou a sua solução) e está em «conformidade com o RGPD, o EU AI Act e a segurança dos dados», revela o responsável.
Francisco Ribeiro e Silva salienta ainda que desenvolveram «um motor de memória clínica que permite ao sistema de IA recolher dados dentro e fora de sessão, recordar os pacientes e devolver a informação consoante a abordagem do profissional». Para já, a ferramenta foi lançada com o «plano essencial, com toda a gestão da clínica, ainda sem a camada de inteligência artificial e clínica» e, em Junho, começaram «os primeiros estudos-piloto com a camada de IA».
Expandir além-fronteiras
Francisco Ribeiro e Silva esclarece que a Mena.ai tem planos de internacionalização já definidos: «Temos uma porta aberta ao mercado do Reino Unido, uma vez que o nosso conselheiro científico é professor na Universidade de Manchester e um dos investigadores mais reconhecidos do mundo na área da psiquiatria digital. Espanha será naturalmente um mercado a expandir no próximo ano. O nosso objetivo é ser o sistema operativo da saúde mental europeia». A startup conta apenas com os dois elementos fundadores na equipa, mas espera contratar em breve mais colaboradores e está «a procurar perfis nas áreas de business development, marketing e comercial».
Para o futuro, as perspectivas são claras: «Queremos democratizar o acesso a este tipo de serviços e ser uma referência na gestão clínica, tanto em Portugal como a nível europeu. Procuramos ainda o reconhecimento por parte da Ordem dos Psicólogos Portugueses, já que seguimos o seu código deontológico desde o primeiro dia».
