O mercado de processadores está a atravessar uma mudança histórica que remonta aos anos noventa. Pela primeira vez desde 1995, a quota de mercado da Intel no segmento de unidades centrais de processamento x86 caiu abaixo dos setenta por cento, fixando-se nos 69,3 por cento no segundo trimestre de 2026, o que representa uma queda homóloga de seis pontos e meio. Em sentido inverso, a AMD aproveitou esta quebra para atingir um novo recorde absoluto para a empresa, chegando aos 30,7 por cento, segundo o site TechPowerUp que cita os dados mais recentes da Mercury Research. Estes números dizem respeito apenas aos envios de processadores para computadores pessoais e servidores, mas o cenário torna-se ainda mais favorável para a AMD quando se incluem os produtos personalizados, sistemas embebidos e a Internet das Coisas. Neste panorama mais alargado, a fatia da Intel desce para os 65,9 por cento contra os 34,1 por cento da rival, um impulso justificado pelo forte desempenho da AMD no fornecimento de chips para consolas de videojogos, um segmento onde a Intel não compete directamente.
Crescimento em todas as frentes
Ao analisar os diferentes segmentos de mercado, o crescimento da AMD é visível em todas as frentes. Nos computadores de secretária, a empresa alcançou os 34,9 por cento de quota, uma subida homóloga de quase três pontos face aos 65,1 por cento da Intel. Este sucesso nos computadores de secretária é impulsionado pela popularidade da linha Ryzen, que recentemente viu a fabricante a recuar na sua decisão para voltar a incluir a encriptação de memória nestes processadores, para garantir assim maior segurança aos utilizadores. Além disso, o apelo da marca junto dos jogadores continua a crescer, especialmente numa altura em que a empresa está a desenvolver uma nova tecnologia de geração de fotogramas capaz de multiplicar o desempenho até oito vezes para as suas gráficas. No mercado dos computadores portáteis foi onde se registou a maior movimentação, com a AMD a subir mais de oito pontos para atingir os 28,9 por cento, enquanto a Intel se mantém nos 71,1 por cento.
A batalha pelos centros de dados
A batalha estende-se também ao mercado dos servidores, onde a concorrência se mostra cada vez mais feroz. Neste sector, a AMD conseguiu crescer mais de sete pontos num ano, alcançando os 34,5 por cento contra os 65,5 por cento da Intel. Do outro lado da barricada, a Intel prepara a sua defesa com os futuros processadores Xeon 7 Diamond Rapids e as placas gráficas Crescent Island destinadas a centros de dados e estações de trabalho. Apesar da perda de quota geral, a Intel defende-se ao apontar para um crescimento recorde nas vendas do seu grupo de centros de dados e para um aumento de acordos de fornecimento a longo prazo. O mercado de integração de sistemas nota também que a Intel está a intensificar o seu envolvimento com os parceiros comerciais, num esforço claro para recuperar o protagonismo e travar o avanço contínuo da sua principal concorrente.
