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A ler: A três anos do Q-Day
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PCGuia > Opinião > Conceito Humanoide > A três anos do Q-Day
Conceito HumanoideOpinião

A três anos do Q-Day

Esta ameaça é tão iminente que hoje já se considera obsoleto e perigoso implementar novos sistemas que não utilizem, de raiz, a criptografia pós-quântica (PQC).

André Gonçalves
Publicado em 29 de Agosto, 2026
Tempo de leitura: 3 min
Rawpixel/Freepik

Confesso que fiquei surpreendido com o recente alerta de vários especialistas em criptografia: o Dia Quântico (ou Q-Day) pode estar a apenas três anos de distância. Estima-se que, a partir de 2029, possam surgir algoritmos quânticos poderosos o suficiente para quebrar os actuais sistemas que suportam a segurança e a privacidade da internet. Até há pouco tempo, o consenso apontava para meados do século; saber que essa meta colapsou para o final desta década altera profundamente o tabuleiro tecnológico.

Sempre supus que o Q-Day fosse um conceito remoto, como a chegada do Homem a Marte ou os carros voadores. Algo teoricamente possível, mas muito mais próximo da ficção científica do que da nossa realidade imediata.

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E, embora não seja realista pensar que todas as encriptações serão quebradas num único dia, o prazo para que o processo comece encurtou drasticamente. Isto deve-se aos avanços na correcção de erros quânticos e à sua convergência com a inteligência artificial, que acelerou o desenvolvimento de hardware de forma imprevisível.

Esta ameaça é tão iminente que hoje já se considera obsoleto e perigoso implementar novos sistemas que não utilizem, de raiz, a criptografia pós-quântica (PQC).

Contudo, mesmo os algoritmos concebidos para resistir são apenas barreiras teóricas. Mais preocupante ainda é o facto de existirem petabytes de dados sensíveis armazenados online e protegidos pelos métodos actuais. Isto alimenta uma prática já comum entre os cibercriminosos: “guardar agora para decifrar mais tarde”. Esta estratégia significa que segredos de Estado, patentes e dados médicos copiados hoje serão expostos retroactivamente assim que o primeiro computador quântico funcional for ligado, invalidando protecções futuras.

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Na prática, enfrentamos uma vulnerabilidade sistémica e iminente do sistema bancário global, dos canais de comunicação outrora “seguros” e das infra-estruturas críticas vitais, como redes de distribuição de electricidade, água e gestão da segurança pública.

Para além de tudo isto, é impossível não pensar nos cerca de 1,1 milhões de bitcoin que o misterioso Satoshi Nakamoto minerou ou acumulou em dezenas de carteiras criadas na génese da blockchain, em 2009. Como estas carteiras nunca foram actualizadas e dependem de chaves públicas antigas, ficarão inteiramente à mercê da lógica não linear de uns quantos qubits. Se alguém quebrar esta segurança, não assistiremos apenas ao maior roubo da história, mas também ao colapso da confiança global em toda a arquitectura dos activos digitais.

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Etiquetas:Criptografia pós-quânticaPQCQ-Daysegurança
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