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Há Uma App Para TudoOpinião

Ser(emos) empático(s)?

Já conseguimos criar máquinas mais inteligentes do que nós; espero que ainda sejamos suficientemente empáticos para as usar.

António Simplício
Publicado em 8 de Agosto, 2026
Tempo de leitura: 3 min
rawpixel/Freepik

Fui ao cinema ver o mais recente filme de Steven Spielberg, ‘Disclosure Day’, e houve uma ideia que ficou a ecoar na minha cabeça. Perante uma humanidade fascinada com tecnologia, poder e conhecimento, os visitantes extraterrestres valorizavam, acima de tudo, uma característica aparentemente banal: a empatia. Não a simpatia. Não a compaixão. A capacidade de olhar para o outro antes de o julgar.

Foi dessa mesma empatia que me lembrei ao acompanhar a recente polémica em torno das restrições impostas pela administração Trump ao último modelo da Anthropic. Num mundo dividido entre Estados Unidos, China, Europa, Rússia ,e uma Índia cada vez mais influente, a IA começa a ser tratada como petróleo digital ou urânio intelectual: um recurso estratégico a proteger, controlar e, se necessário, limitar. Convenhamos, estamos a falar de algo ligeiramente mais relevante do que escolher entre uma PlayStation e uma Xbox. E, no entanto, enquanto discutimos quem controla a tecnologia, talvez estejamos a esquecer aquilo que ela pode fazer à forma como nos relacionamos uns com os outros.

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Durante décadas acreditámos que a Internet iria aproximar culturas. Em vez disso, passámos uma parte considerável do tempo a discutir com desconhecidos nas redes sociais. Agora surge a IA, capaz de traduzir idiomas, explicar culturas e responder a praticamente qualquer pergunta. A ferramenta perfeita para aumentar a compreensão humana. E, no entanto, caminhamos na direcção oposta. Duas pessoas podem viver na mesma rua, votar nas mesmas eleições e, ainda assim, habitar universos informativos completamente diferentes. Agora, imagine inteligências artificiais treinadas segundo visões políticas, culturais e históricas distintas. Perante o mesmo conflito, uma IA poderá apresentar uma explicação. Outra contará uma história completamente diferente.

Talvez Spielberg tenha razão. Talvez a característica mais importante de uma civilização avançada não seja a inteligência. Inteligência já temos nós e os algoritmos. O difícil continua a ser compreender quem pensa de forma diferente. Já conseguimos criar máquinas mais inteligentes do que nós; espero que ainda sejamos suficientemente empáticos para as usar.

 

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Etiquetas:AnthropicIAOpinião
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