O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) anunciou a apreensão de quase 400 domínios utilizados para transmitir ilegalmente jogos de futebol, com especial foco nas eliminatórias e preparativos para o Campeonato do Mundo de 2026. A acção, baptizada “Operation Offsides 2026”, foi liderada por várias agências federais norte-americanas, segundo o site TorrentFreak.
Uma operação à escala global
Esta iniciativa não se limitou ao território norte-americano. A operação teve o apoio de diversas entidades internacionais, incluindo a Europol e forças policiais de vários países. Os servidores ligados à transmissão ilegal de partidas de futebol foram alvo de intervenções no Peru e na Bulgária, conhecidos centros de actividade de pirataria online. Além disso, ocorreram interrupções de serviço na Croácia, Roménia, Polónia e Colômbia.
Este nível de coordenação internacional reflecte a postura cada vez mais agressiva das autoridades contra o cibercrime, uma tendência também visível quando as forças de segurança detiveram centenas de indivíduos envolvidos em esquemas milionários de activos digitais. A FIFA actuou como a principal detentora de direitos nesta investigação, apoiada por informações de empresas como a beIN Media Group, NBCUniversal e Warner Bros.
Tácticas de camuflagem e domínios inusitados
Embora o DOJ não tenha divulgado uma lista oficial, a análise de dados de DNS mostra que dezenas de endereços web passaram a redireccionar os utilizadores para servidores do governo dos Estados Unidos. Entre os alvos estão plataformas com tráfego massivo, como o istreameast.app, que registou cerca de 15 milhões de visitas no último mês.
Para manter a relevância nos motores de busca e escapar às autoridades, os operadores destas redes ilícitas recorrem a estratégias peculiares:
- Reaproveitamento de domínios expirados: Os criminosos adquirem endereços web que pertenciam a negócios legítimos, como antigos blogues de fitness, páginas de activismo musical ou sites de produtos de bem-estar, para herdar a credibilidade digital e o histórico de pesquisa que essas páginas já possuíam.
- Criação de plataformas espelho: Muitos dos sites bloqueados são meras cópias de marcas conhecidas da pirataria, desenhadas para captar o tráfego de utilizadores que procuram as plataformas originais, diluindo assim o risco caso um dos servidores principais seja encerrado.
A capacidade técnica das autoridades para rastrear estas infraestruturas complexas continua a evoluir. O FBI tem demonstrado uma aptidão crescente na área forense digital, seja ao recuperar conversas apagadas através de sistemas de alerta em dispositivos móveis, ou ao tentar mitigar falhas internas, como as que permitiram que piratas informáticos visualizassem processos judiciais sensíveis de forma acidental.
Apesar do sucesso desta operação, alguns dos maiores sites de pirataria, registados em jurisdições estrangeiras fora do alcance directo dos Estados Unidos, continuam a operar livremente, o que demonstra que a batalha contra a transmissão ilegal de conteúdos desportivos está longe de terminar.
