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O Que Vem à RedeOpinião

Um ano para a História

Vivemos num mundo em que a verdade é um mineral raro e que, como os minerais raros, não é tão rara assim mas poucos sabem como a usar. Mas quem é que quer saber da verdade se há tanta coisa para nos entreter?

Alexandre Gamela
Publicado em 3 de Janeiro, 2026
Tempo de leitura: 3 min
Rawpixel/Freepik

Não gosto de olhar para o passado mas, depois de tudo o que nos aconteceu em 2025, é impossível não fazer uma retrospectiva. Foi o ano do apagão colectivo das nossas cabeças, encadeadas pelos conteúdos dos ecrãs dos smartphones. Ficará na história como um ano de viragem. Para melhor ou pior, logo se vê.

A IA ficou mais inteligente, nós estamos cada vez mais burros: a primeira já sabe escrever sem travessões, a maioria de nós nem sabe para que servem. A corrida para ser o homem mais ridículo do mundo – desculpem, era para escrever “rico”, mas um lapsus calami antecipou a ideia – ganhou proporções absurdas: 1 000 000 000 000 é um número que o nosso cérebro não percebe sequer. É o dobro do orçamento de todas as universidades ocidentais (numa estimativa optimista) investido numa só pessoa.

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Aparecem robôs todos os dias nas notícias, a manifestação física e real de uma coisa que ainda não funciona bem, mas que é a maior bolha de investimento de sempre e que pode arrastar a economia mundial para um colapso catastrófico. Mas como a economia mundial é, há muito tempo, um pano verde de casino em que jogadores e croupiers fazem apostas com dinheiro que não é deles, nem se pensa nisso. Se há possibilidade de lucro astronómico, é all in.

Entretanto, essas máquinas parecem demasiado feitas à imagem humana. Não só morfologicamente, apesar dos ossos e tendões de aço, mas também como parecem ser máscaras para humanos escondidos lá dentro ou pela forma como caem de efígie (não é uma cara, nunca será uma cara) no chão. O que, como já disse antes noutra crónica, é uma manobra de diversão ou falta de imaginação: se vamos imaginar uma nova criatura, vamos dar-lhe uma forma mais eficaz que a nossa.

E falando em notícias, 2025 foi o ano em que a realidade morreu. Vivemos num mundo em que a verdade é um mineral raro e que, como os minerais raros, não é tão rara assim mas poucos sabem como a usar. Mas quem é que quer saber da verdade se há tanta coisa para nos entreter?

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Mal posso esperar por 2026.

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Etiquetas:IAOpiniãosmartphones
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