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O Que Vem à RedeOpinião

Out of office

Três ideias, a mesma ferramenta, diferentes aplicações. A escolha entre o belo e o bélico está do lado de cá.

Alexandre Gamela
Publicado em 4 de Outubro, 2025
Tempo de leitura: 3 min
Rawpixel/Freepik

Deixo-vos três sugestões para melhorar a vossa vida, rirem-se um bocado e ficarem a pensar no Inverno (inferno?) digital que estão a preparar para nós. Todas estas opções aplicam-se a cada uma das sugestões, embora o riso seja de desespero em duas delas.

Saiam do Spotify. Se há empresa que parece ter abraçado o lado pior da economia digital, é o Spotify. Não só é uma das plataformas de streaming que pior paga aos artistas, como está a substituí-los por música gerada por IA, reduzindo os rendimentos de quem vive da criatividade, ao mesmo tempo que desvaloriza a música como forma de expressão humana. Mas a humanidade não parece ser uma prioridade para Daniel Ek, o dono do Spotify, que investiu os dividendos que deveriam ter sido distribuídos por quem lhe fez a fortuna numa empresa que desenvolve IA para fins bélicos. São cada vez mais as bandas e utilizadores a cortar relações com a plataforma e eu também já estou fora. Alternativas: Tidal (não é perfeito) e Qobuz.

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Blow Records. Ao contrário do que pode parecer, depois do que disse, a IA pode ser usada para fazer música. Ou, pelo menos, melhorá-la. A Blow Records (@BlowRecordsBR, no YouTube) pegou num clássico do funk favela e criou – com a ajuda de ferramentas de IA – o sucesso deste Verão. Se alguém já levantou a mão para o alto este ano, sabe do que estou a falar. A referência: Chupa Xox*ta (1980). Se não conheciam, peço desde já perdão.

KNGMKR. Este canal de YouTube (@kngmkrlabs) é um laboratório de narrativas que usa IA para criar pequenos filmes futuristas, com recursos estilísticos e narrativos espectaculares, sempre com um espírito crítico e um sentido de humor muito peculiar. Da descrição do canal: «As ferramentas nunca são a história. O que dizemos com elas, é. Nada aqui é para o espetáculo. Tudo aqui tem um motivo». E os motivos são bons, parece-me.

Três ideias, a mesma ferramenta, diferentes aplicações. A escolha entre o belo e o bélico está do lado de cá.

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Etiquetas:IAinteligência artificialOpiniãoSpotify
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