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PCGuia > Opinião > A inutilidade do bloqueio do Pirate Bay em Portugal
Opinião

A inutilidade do bloqueio do Pirate Bay em Portugal

Pedro Tróia
Publicado em 11 de Março, 2015
Tempo de leitura: 4 min
PCGuia

Os recentes anúncios do bloqueio do site agregador de ficheiros torrent The Pirate Bay em Portugal e de que o canal de TV americano HBO vai disponibilizar a nova temporada da série Game of Thrones em simultâneo em todo o mundo de forma a combater a pirataria, deixaram-me a pensar.

Se todos os estúdios de cinema e séries fizessem a mesma coisa, será a pirataria ainda teria a escala que tem hoje?

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Serviços de streaming como o Spotify, Google Music ou Xbox Music estão, a pouco e pouco, a matar os downloads ilegais de música, porque, tal como acontece com muitas outras coisas na vida, também os “piratas” tendem a seguir o caminho de menor resistência e, temos que concordar, que descarregar um programa, instalá-lo e começar logo a ouvir gratuitamente a música que se quiser é muito mais simples que instalar um programa de download de torrents, procurar uma release decente do álbum que se quer descarregar e que de preferência não traga “brindes” indesejados, descarregá-lo e passá-lo para um dispositivo qualquer que dê para o ouvir.

Neste campo só falta mesmo um serviço de streaming de áudio em formatos lossless que apele aos utilizadores mais exigentes quanto à qualidade de som.

No caso da TV, Portugal ainda vive na idade média digital, temos 4 operadores de TV que controlam firmemente o mercado das séries e dos videoclubes digitais. Temos também um punhado de distribuidores que controlam o que os operadores podem, ou não, transmitir e quanto custam esses conteúdos. Este esquema origina episódios bizarros, como o facto de, por exemplo, o canal Syfy transmitir conteúdos de outros canais enquanto que séries de produção própria nunca chegam a ser passadas cá.

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Com este estado de coisas, dificilmente serviços de streaming de conteúdos como o Netflix, Hulu ou mesmo o HBO Direct vão chegar ao nosso país.

O caso do cinema é parecido, mas tem mais a ver com o preço dos bilhetes, que, num país em crise, empurra muita gente para o caminho da pirataria. Mais fácil e barato.

Não há qualquer dúvida que o download de conteúdos sem autorização é roubo, mas decisão judicial que aprovou a aplicação da providência cautelar interposta por dois organismos de “gestão de direitos de autor” que obriga os ISP nacionais a bloquear o acesso ao The Pirate Bay, é talvez uma das mais inúteis que já vi em 46 anos de vida, não por culpa do tribunal que apenas decide em função da lei aplicável. Apenas prova que tanto a lei, como as organizações de “gestão de direitos de autor” chegaram atrasados ao século XXI.

Só consigo perceber este processo e decisão se forem actos simbólicos, porque a sua eficácia é tão limitada quanto a utilização de uma VPN, proxy, ou simplesmente qualquer outro site de agregação de ficheiros torrent. Só para mencionar as alternativas mais simples.

Os serviços de streaming de música provam que é possível ser-se sustentável usando modelos de negócio com duas modalidades: o acesso gratuito a conteúdos que obrigam o utilizador a ouvir x anúncios por hora e o acesso pago que dá acesso ao mesmo conteúdo com mais qualidade de som e dispensa os utilizadores de ouvir a publicidade.

Não é necessário inventar nada, simplesmente basta aplicar esta ideia aos filmes e séries de TV.

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Etiquetas:Bittorrentdireitos-de-autordownloadsgame-of-thronesHuluNetflixpirate-baysériesSpotifyStreamingTorrentsTribunaltv
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