A inteligência artificial continua a demonstrar a sua capacidade de analisar código complexo e o modelo de linguagem GLM-5.3 da empresa chinesa Z.ai é o mais recente exemplo desta tendência. Esta tecnologia ajudou a descobrir mais de 1000 vulnerabilidades críticas em grandes projectos de código aberto, incluindo o kernel do Linux, segundo o site TechSpot. Este volume junta-se a milhares de outros problemas sinalizados por sistemas semelhantes ao longo deste ano, o que cria uma verdadeira avalanche de relatórios de segurança que os programadores precisam de gerir diariamente.
Antes do evento Kernel Recipes 2026 em Paris, o responsável pela manutenção do núcleo do Linux, Greg Kroah-Hartman, partilhou dados que ilustram uma subida acentuada no número de falhas encontradas nas últimas versões estáveis. Entre as versões 6.9 e 6.19, os investigadores de segurança detectavam em média cerca de 500 vulnerabilidades por lançamento. A partir do Linux 7.0, esse valor saltou para cerca de 1000 problemas registados e a versão 7.2 ultrapassou a marca das 1500 falhas. A maioria destes erros foi identificada por plataformas de revisão de código baseadas em inteligência artificial e a expectativa é que o número possa ultrapassar as 2000 vulnerabilidades com a chegada do Linux 7.3, à medida que estas ferramentas se tornam mais capazes.
À primeira vista, o registo de 2000 vulnerabilidades pode soar alarmante, especialmente porque a grande maioria dos dispositivos da Internet das Coisas nos sectores de consumo, comercial e industrial funciona em plataformas baseadas neste sistema operativo. O código fonte do kernel estende-se por cerca de 40 milhões de linhas, o que significa que ainda devem existir milhares de falhas à espera de serem descobertas. Esta realidade não é totalmente nova, pois já no passado sistemas automatizados tinham detectado centenas de brechas de segurança no código base, mas a escala actual não tem precedentes.
Uma limpeza necessária no código
Apesar do volume assustador, a grande maioria das vulnerabilidades documentadas é de baixa prioridade ou afecta controladores obsoletos e funcionalidades descontinuadas há muito tempo. O aumento dos relatórios gerados por inteligência artificial trouxe até um aspecto positivo para o código, o que levou os responsáveis a eliminar um lote de controladores antigos e todo o subsistema ISDN que albergava dezenas de falhas. O criador do sistema, que iniciou este projecto há mais de três décadas, alertou para o problema em Maio durante o lançamento da versão 7.1-rc4 e avisou que a lista de correio privada de segurança se tinha tornado quase impossível de gerir. Os responsáveis pela manutenção confirmaram que o volume de relatórios subiu de dois a três por semana há dois anos para cinco a dez por dia em 2026. Esta nova dinâmica de trabalho surge numa altura em que a própria relação entre as empresas de inteligência artificial e a comunidade de código aberto se estreita, visível na disponibilização de aplicações oficiais de assistentes virtuais para várias distribuições do sistema operativo.
