Quem tem estado atento à evolução de preços de memória ou unidades de armazenamento baseadas neste tipo de tecnologia não pode ter deixado de notar a cavalgada evolutiva dos preços de venda nos vários canais. É uma pressão quase semanal sobre preços que tem quase como único culpado o crescimento explosivo da IA e da consequente mudança nas prioridades de fabrico da indústria de semicondutores. Se durante anos e anos a produção esteve maioritariamente voltada para o mercado dos produtos de consumo (PC, telefones e armazenamento), os modelos de Inteligência Artificial, cada vez mais exigentes, atiraram o estado da arte para um aumento nunca visto da procura por parte dos grandes centros de processamento.
Os grandes fabricantes estão a desviar parte dos seus recursos produtivos para um tipo muito específico de memórias, sobretudo para as high bandwidth, uma alteração que reduziu disponibilidades de outros tipos destinados ao grande consumo. Isso já se notou deveras nos preços de muitos equipamentos Apple e, não tenho dúvidas, vai fazer-se notar ainda por mais algum tempo.
Os construtores e operadores tecnológicos têm contratos de compras futuras a longo (leia-se a muito longo) prazo, por forma a garantir que têm acesso a produções muito distantes no tempo. Apesar de estar a verificar-se algum abrandamento da procura do mercado de consumo, o aumento da procura das memórias de alta performance continua a desequilibrar preços, o que tem sido bastante sentido nas tecnologias mais comuns como a DRAM e a NAND.
O número de unidades produtivas não é grande; qualquer “solavanco” faz abanar o mercado (os mais velhos lembrar-se-ão de uma crise mundial de fornecimento por ter ardido uma única fábrica na Coreia do Sul…). A construção de novas fábricas não pode ser feita em meses: são investimentos gigantescos e a entrada em produção de larga escala pode levar até vários anos. E isto faz com que a indústria não consiga responder com velocidade ao aumento da procura. Os analistas mais optimistas dizem que nada disto se vai alterar durante 2027 (medo!), pelo menos enquanto esta pressão de procura não se atenuar. Há milhares de milhões em jogo. E quando o nosso telefone ou computador sofre um aumento de trezentos ou quatrocentos euros, é muito disto que está em causa.
