A Samsung está a desenvolver um novo chip focado em inteligência artificial para computadores. Conhecido pelo nome de código GAIA, este componente não pretende substituir os processadores da Intel, AMD ou Qualcomm, mas sim actuar como um acelerador dedicado. De acordo com o site TechSpot, que cita fontes sul-coreanas, a divisão LSI da fabricante já se encontra a trabalhar nesta solução de hardware.
Uma arquitectura focada na memória
Ao contrário dos chips tradicionais que integram uma unidade de processamento neural (NPU) no processador principal, o GAIA funciona de forma independente. O objectivo passa por criar um acelerador centrado na memória, construído num processo de fabrico de 4 nanómetros. Esta abordagem permite colocar o poder computacional mais perto da memória, evitando a transferência constante de dados que atrasa o sistema.
A estratégia alinha-se com a tecnologia Processing-In-Memory (PIM) da marca, que executa cálculos dentro da própria memória. Este foco na optimização de dados para cargas de trabalho exigentes surge na mesma altura em que a empresa inicia o fabrico de novas unidades de armazenamento ultra-rápidas destinadas a servidores de IA.
Parcerias e testes em ambiente real
A fabricante já começou a enviar protótipos do GAIA para empresas como a HP e a Lenovo, com o intuito de validar o desempenho do hardware. Se os testes correrem como o esperado, a produção em massa pode arrancar em 2027, com os primeiros equipamentos a chegar ao mercado no final desse ano ou no início de 2028.
Este movimento reforça a posição da marca no fornecimento de silício, um sector onde já se movimentava ao discutir o fabrico de semicondutores personalizados com outras gigantes tecnológicas. Todo este ecossistema ganha força com o recente apoio financeiro massivo do governo sul-coreano para impulsionar o sector tecnológico nacional.
O regresso aos chips para PC
Se o projecto avançar, marca o regresso da Samsung ao fornecimento de chips para computadores, algo que não acontecia desde a experiência com os Chromebooks em 2012. No entanto, a empresa terá de enfrentar alguns desafios para garantir o sucesso desta aposta:
- Concorrência interna e externa: A marca fabrica componentes para a Nvidia e para a Qualcomm, o que significa que vai passar a competir directamente com os seus próprios clientes no segmento dos computadores, uma situação que pode gerar tensão nas relações comerciais.
- Utilidade real para o consumidor: A indústria tenta convencer os utilizadores da necessidade de ter uma NPU local, mas a maioria das pessoas ainda não consegue identificar tarefas diárias, seja a redigir documentos ou a fazer pesquisas num browser, que justifiquem a exigência deste hardware dedicado.
- Adopção de software: Para que o acelerador GAIA triunfe, será estritamente necessário que os programadores criem aplicações capazes de tirar partido desta arquitectura específica, desde a geração de imagens locais até à tradução em tempo real, sem depender da nuvem.
