A Coreia do Sul está a preparar-se para dominar o futuro da tecnologia a nível global. De acordo com o site TechSpot, o país asiático vai investir cerca de 880 mil milhões de dólares (aproximadamente 805 mil milhões de euros) na construção de infraestruturas dedicadas à inteligência artificial, num esforço coordenado pelo governo para manter a competitividade numa economia em rápida evolução.
O peso das gigantes tecnológicas
Este esforço colossal envolve algumas das maiores empresas do país, como a Samsung Electronics e a SK Hynix. Uma grande fatia deste orçamento destina-se ao fabrico de semicondutores. As duas gigantes planeiam construir quatro novas fábricas no sudoeste do país. O objectivo passa por dar resposta à procura crescente por chips de memória de alta largura de banda, essenciais para os sistemas de IA modernos.
A corrida pelo hardware está ao rubro em todo o mundo, numa altura em que até as empresas de software procuram independência, algo evidente desde que a criadora do ChatGPT apresentou o seu próprio chip dedicado a estas tarefas complexas. O Presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, sublinhou que a velocidade é a única forma de sobreviver nesta nova era, chegando mesmo a classificar os líderes da Samsung e da SK Hynix como heróis nacionais.
Centros de dados e expansão regional
Em paralelo com a produção de chips, a Coreia do Sul está a reforçar a sua infra-estrutura de dados. Empresas como a Naver prevêem aplicar verbas avultadas para desenvolver uma capacidade de 8.4 gigawatts em centros de dados até 2029. Esta expansão vai permitir que o país processe cargas de trabalho massivas a nível interno, sem depender de fornecedores estrangeiros.
Esta independência é crucial num mercado global onde a segurança e a propriedade intelectual são temas sensíveis, especialmente depois de polémicas recentes onde gigantes asiáticas foram acusadas de desviar modelos de linguagem de empresas rivais.
A estratégia passa também por descentralizar a economia, retirando a pressão da capital, Seul. Cidades como Gwangju vão focar-se no fabrico de memória, enquanto Cheonan e Onyang assumem o empacotamento de chips, um passo crítico para melhorar o desempenho dos componentes.
Automação e o futuro do ecossistema
Para garantir o sucesso desta empreitada, a estratégia sul-coreana assenta em três pilares fundamentais:
- A construção de novas fábricas de semicondutores no sudoeste do país, destinadas a aumentar drasticamente a capacidade de produção de memórias de alta largura de banda.
- O desenvolvimento de uma rede robusta de centros de dados nacionais, desenhada para suportar o processamento intensivo sem recorrer a infraestruturas de terceiros.
- A modernização das linhas de montagem através da robótica avançada, com a introdução de máquinas humanóides nas instalações da Samsung em Gumi para automatizar o fabrico de componentes críticos.
A inteligência artificial está a transformar todos os sectores, desde a produção industrial até ao retalho de electrónica de consumo. Ao investir simultaneamente no fabrico de chips, no empacotamento e nos centros de dados, a Coreia do Sul procura garantir uma posição de liderança em toda a cadeia de valor da IA, num investimento que representa cerca de 5% do seu Produto Interno Bruto para 2024.