A Apple avançou com um processo judicial contra a OpenAI, acusando a empresa de inteligência artificial de roubo de segredos comerciais e incumprimento contratual, numa disputa que poderá marcar uma nova frente na rivalidade entre as duas tecnológicas.
A queixa foi apresentada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Norte da Califórnia e centra-se, sobretudo, na alegada apropriação de informação confidencial relacionada com produtos ainda não anunciados pela fabricante do iPhone.
Segundo a Apple, a alegada operação terá sido «coordenada por responsáveis de topo da OpenAI, incluindo Tang Tan», antigo vice-presidente de design de produto do iPhone e Apple Watch, que abandonou a empresa após 24 anos para assumir o cargo de chief hardware officer da OpenAI.
A Apple acusa Tan de «utilizar nomes de código internos» durante processos de recrutamento, «incentivar candidatos a levarem componentes de hardware da empresa para entrevistas de emprego» e aconselhar funcionários que «saíam da Apple sobre a forma de contornarem os procedimentos de segurança internos».
Estas acusações surgem numa altura em que a OpenAI é apontada como estando a desenvolver o seu primeiro produto de hardware, um equipamento que poderá competir directamente com o iPhone. Em Abril, o analista Ming-Chi Kuo avançou que a empresa poderá estar a trabalhar num smartphone centrado em agentes de inteligência artificial, reduzindo a dependência das aplicações tradicionais. No ano passado, a OpenAI reforçou essa estratégia ao adquirir a startup io, fundada por Jony Ive, num negócio avaliado em 6,5 mil milhões de dólares.
No processo, a Apple afirma ter alertado a OpenAI para estas preocupações através de uma carta enviada em Fevereiro, à qual diz «nunca ter recebido resposta». A empresa sustenta ainda que a sua investigação interna «identificou situações em que informação confidencial da Apple terá sido utilizada durante o desenvolvimento de hardware da OpenAI, incluindo uma técnica proprietária de acabamento metálico».
A Apple pede, agora, ao tribunal que «impeça a OpenAI de utilizar ou divulgar qualquer segredo comercial» a si pertencente, obrigue a empresa a «devolver todos os materiais confidenciais» e preserve «todas as provas relacionadas com o caso».
Em comunicado, a Apple afirma que «protege muito seriamente o trabalho e a propriedade intelectual das suas equipas» e garante que tomará «todas as medidas apropriadas» para defender as suas inovações.
Já a OpenAI rejeita as acusações. Numa declaração publicada na rede social X por Drew Pusateri, responsável de comunicação, a empresa afirma que «não tem qualquer interesse nos segredos comerciais de outras empresas» e garante que continua «concentrada em desenvolver tecnologia inovadora para capacitar pessoas em todo o mundo».
