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Tribunal francês obriga DNS europeu a bloquear sites piratas

Um Tribunal de Paris ordenou que o DNS4EU, um projeto cofinanciado pela Comissão Europeia, bloqueie dezenas de sites de transmissão ilegal de desporto. A decisão já está a afectar utilizadores fora de França.

Pedro Tróia
Publicado em 4 de Maio, 2026
Tempo de leitura: 4 min
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Foto por Pixabay em Pexels.
Neste artigo
  • O papel do DNS europeu
  • Falta de defesa em tribunal
  • Impacto à escala global

A 17 de Abril, o Tribunal Judicial de Paris emitiu uma série de dezoito ordens judiciais para travar a transmissão ilegal de eventos desportivos. De acordo com a notícia do site TorrentFreak, o alvo principal destas medidas inclui fornecedores de serviços de Internet, redes privadas virtuais (VPN) e sistemas de resolução de nomes de domínio, com um destaque particular para o DNS4EU. Desde o início de 2024 que a justiça francesa tem vindo a alargar as exigências de bloqueio para lá dos operadores residenciais tradicionais, a tentar cortar todas as rotas alternativas usadas para contornar restrições.

Inicialmente, o tribunal exigiu que gigantes da tecnologia bloqueassem activamente o acesso a plataformas ilícitas através dos seus próprios sistemas DNS. Pouco tempo depois, os fornecedores de VPN e os motores de busca foram adicionados à lista de alvos. A lógica das autoridades baseia-se na ideia de que, ao eliminar estas vias secundárias, a eficácia global das providências cautelares antipirataria será drasticamente optimizada.

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O papel do DNS europeu

O DNS4EU é um serviço público co-financiado pela Comissão Europeia e operado por um consórcio liderado pela empresa checa de cibersegurança Whalebone. Lançado oficialmente em Junho do ano passado, o projecto apresenta-se como uma alternativa europeia independente e segura a opções estrangeiras, como o Google Public DNS ou a Cloudflare.

No entanto, as duas decisões recentes do tribunal obrigam a plataforma a bloquear o acesso a 16 domínios ligados a transmissões não autorizadas de MotoGP e 21 domínios associados à Fórmula 1. A queixa foi apresentada pela estação de televisão francesa Canal+, que detém os direitos de transmissão destas competições. As ordens judiciais mantêm-se válidas até ao final da actual temporada desportiva e exigem que a Whalebone implemente todas as medidas necessárias para impedir o acesso a sites piratas a partir do território francês.

Falta de defesa em tribunal

O TorrentFreak indica que a Whalebone não marcou presença na audiência realizada a 19 de Fevereiro e não apresentou qualquer defesa. Como resultado, o tribunal decidiu a favor do Canal+ sem ouvir argumentos contrários. A Quad9, uma fundação suíça sem fins lucrativos que opera um DNS focado na privacidade, também falhou a apresentação de uma defesa num processo paralelo e sofreu as mesmas consequências.

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Apesar de algumas entidades terem optado pelo silêncio, outras empresas decidiram contestar as exigências. Marcas como a Google, NordVPN, Surfshark, ProtonVPN e Cloudflare opuseram-se aos pedidos de bloqueio, mas sem sucesso. O tribunal rejeitou os argumentos técnicos sobre custos, encriptação e obrigações de monitorização geral, a citar a falta de provas quantificáveis. Esta insistência judicial e a pressão sobre os intermediários tecnológicos contrasta com algumas perspectivas do sector, especialmente quando pesquisas recentes sugerem que impedir o acesso a estas plataformas pode não ter a eficácia desejada a longo prazo.

Impacto à escala global

Embora a organização responsável pelo DNS4EU não tenha explicado o motivo para não se defender, os efeitos da decisão já se fazem sentir nos computadores dos utilizadores. Testes realizados aos servidores públicos do DNS4EU a partir de localizações fora de França mostram que vários domínios visados começaram a mostrar erros de certificado SSL quando acedidos através de um browser comum.

Isto sugere que a aplicação da ordem judicial francesa pode estar a afectar utilizadores a nível global, a impedir o acesso aos sites independentemente do país de origem da ligação. Até ao momento, nem a organização do DNS4EU nem a empresa-mãe Whalebone disponibilizaram qualquer esclarecimento oficial sobre a forma como pretendem executar estas tarefas de bloqueio no futuro ou se planeiam recorrer da decisão.

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Etiquetas:DNS europeuDNS4EUPirataria
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