A fabricante de equipamentos de rede TP-Link enfrenta a ameaça de uma proibição de venda dos seus produtos nos Estados Unidos há vários anos. Com a recente decisão da Comissão Federal de Comunicações (FCC) de banir routers de fabrico estrangeiro, este cenário tornou-se mais provável do que nunca. Para tentar reverter a situação, representantes da empresa reuniram-se na passada quinta-feira com a agência governamental para argumentar que a marca é, na verdade, americana e não chinesa.
De acordo com a notícia avançada pelo site TechSpot, que cita documentos regulatórios da FCC, advogados e consultores da TP-Link estiveram à conversa com as equipas das comissárias Olivia Trusty e Anna Gomez. O objectivo principal deste encontro passou por garantir uma isenção à nova regra que proíbe a venda de equipamentos de rede estrangeiros no país.
A defesa da marca e o peso no mercado
Durante a reunião, a empresa repetiu o argumento de que é uma entidade dos Estados Unidos, com sede em Irvine, na Califórnia. A fabricante indicou ainda que detém mais de um terço da quota de mercado de routers direccionados ao consumidor final. Para reforçar a sua posição, a marca lembrou que os seus dispositivos recebem elogios constantes pelo desempenho, pela facilidade de instalação e pelo preço acessível.
A perspectiva de os equipamentos da TP-Link serem banidos do mercado norte-americano ganhou força em dezembro de 2024. Nessa altura, várias informações revelaram que os departamentos do Comércio, Defesa e Justiça tinham aberto investigações próprias à empresa devido a preocupações com a segurança nacional. Os preços praticados e as alegadas ligações à China foram os principais alvos de escrutínio.
A segurança dos equipamentos tem sido um tema sensível. Em Fevereiro, o procurador-geral do Texas, Ken Paxton, processou a empresa sob a alegação de que esta permitia o acesso de grupos de piratas informáticos patrocinados pelo estado chinês aos seus dispositivos. Este tipo de vulnerabilidades não é um tema novo, 23existindo casos recentes em que grupos de cibercriminosos russos exploraram falhas nestes routers para extrair informações sensíveis. Paxton já tinha iniciado uma investigação à fabricante em Outubro do ano anterior.
O historial de suspeitas e a reestruturação
Fundada em Shenzhen, na China, em 1996, pelos irmãos Zhao Jianjun e Zhao Jiaxing, a TP-Link estabeleceu a sua divisão norte-americana em 2008 para gerir o marketing e o suporte na região. No entanto, a propriedade e as operações continuaram ligadas à empresa-mãe chinesa.
Para tentar criar uma separação organizacional, a TP-Link USA fundiu-se em 2024 com as operações não chinesas da marca para formar a TP-Link Systems Inc., sediada na Califórnia. Esta manobra teve como intenção estabelecer uma governação, investigação e desenvolvimento, e cadeias de abastecimento distintas. Contudo, as autoridades norte-americanas não estão totalmente convencidas de que esta separação seja suficiente.
O futuro das actualizações e as isenções
A TP-Link espera agora conseguir seguir os passos de empresas como a Netgear e a Adtran, que receberam isenções da proibição para os próximos dezoito meses. Para solicitar esta excepção, as marcas precisam de divulgar detalhes sobre a propriedade, a liderança e a cadeia de abastecimento. O director executivo e co-fundador da TP-Link, Jeffrey Chao, é cidadão chinês, embora a imprensa refira que o executivo está a tentar obter um visto de imigração acelerado para estrangeiros ricos, avaliado em um milhão de dólares.
Segundo a FCC, os routers que já estão autorizados a operar nos Estados Unidos podem continuar a receber actualizações de software e firmware. Isto inclui correcções de segurança e ajustes de compatibilidade, ao abrigo de uma autorização temporária que expira a 1 de Março de 2027.