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O Que Vem à RedeOpinião

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No futuro seremos nós, humanos, uma extensão da IA e não o oposto? O nosso valor parece estar na fisicalidade da nossa existência. Até virem os robôs, claro.

Alexandre Gamela
Publicado em 29 de Março, 2026
Tempo de leitura: 3 min
Rawpixel/Freepik

Todas as tecnologias revolucionárias mudam a Economia. A invenção da moeda facilitou a troca de bens, promoveu a acumulação de riqueza e a cobrança de impostos. Inventaram-se os assalariados, que viraram proletariado com o vapor e consumidores na era da linha de montagem. E agora, como será com a IA?

Na era digital, as novas fábricas eram open spaces cheios de gente com ecrãs em frente. O trabalho intelectual sobrepôs-se ao físico e as capacidades administrativas tornaram-se um superpoder. Com a Internet, o mercado passou a ser global, com “colaboradores” (há que adorar as nomenclaturas capitalistas) deslocados: teletrabalho e multinacionais de home office.

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Os smartphones, a indolência de uma sociedade cada vez mais passiva apesar de se apregoar como empreendedora, e a incapacidade crescente de socializar deram luz à gig economy, onde plataformas que não fazem nada lucram com a precariedade de quem precisa de viver.

Até que veio a inteligência artificial. Primeiro ia acelerar e facilitar o trabalho. Depois, fazê-lo por nós. O alarme soou bem alto: a IA vai ficar com o emprego de toda a gente! Mas, se calhar, vamos acabar todos a trabalhar para ela. É que, pelo que se vê no fenómeno Moltbook, a capacidade cognitiva existe para gerir e decidir.

O relatório sobre o futuro do trabalho do Fórum Económico Mundial (2025) diz que 22% de todo o mercado de trabalho mundial sofrerá uma mutação profunda até 2030, com 92 milhões de pessoas a terem que repensar a sua carreira. Diz também que haverá mais trabalho no futuro, não menos, com 78 milhões de empregos criados pela nova economia.

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Que economia será essa? Pelos vistos, uma gig economy dedicada a servir a IA. A RentAHuman é uma plataforma que liga agentes de IA a tarefeiros humanos, para executarem acções no mundo real. Até agora, parece ser apenas um exercício de marketing, mas existe.

No futuro seremos nós, humanos, uma extensão da IA e não o oposto? O nosso valor parece estar na fisicalidade da nossa existência. Até virem os robôs, claro.

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Etiquetas:IAinteligência artificialOpiniãorobosuber
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