Quem nunca monopolizou que atire a primeira picareta em forma de unicórnio

Joshua Hoehne/Unsplash

A guerra pela “libertação” do Fortnite foi declarada em meados de Agosto. Um apelo às armas feito através de um vídeo, que a maioria dos jogadores de Fortnite reconhecerá como uma sátira a um vídeo produzido para o lançamento do primeiro Macintosh da Apple em 1984. Vídeo este, que por sua vez, é uma alusão ao famoso livro de Orson Welles, que seguramente também faz parte da vasta biblioteca destes jogadores.

Esta é uma guerra pelo direito de opção dos utilizadores de adquirirem serviços da forma que lhes for mais conveniente, independentemente da plataforma de distribuição de software que serve de base aos seus equipamentos. Um verdadeiro alerta para as taxas abusivas nas vendas associadas em aplicações e serviços disponibilizados nas plataformas móveis. Uma luta legítima, pois, este tipo de custos pode ser verdadeiramente penalizador para pequenos programadores que se vêem obrigados a entregar quase um terço das suas receitas à montra que “apenas” faz chegar o seu produto aos seus potenciais clientes.

Mas neste caso, a Epic planeou claramente esta batalha, com a divulgação de um preço “de desconto” para compras diretas, que viola claramente as regras contratuais e obriga a Apple (e também a Google) a remover o Fortnite da sua plataforma de aplicações, tendo já preparado uma campanha em que se apresenta como vítima do seu monopólio.

Pois se por um lado, a Apple torna impossível a instalação de aplicações nos seus equipamentos móveis que não tenham passado pela “aprovação” da sua loja, por outro, a Epic já tinha tentado a sua sorte com o lançamento do Fortnite na plataforma Android fora da PlayStore, tendo pouco tempo depois concluído que lhe era mais rentável “oferecer” o jogo na plataforma oficial da Google.

Nesta luta de mega corporações por margens de milhões, perde-se todo o altruísmo de um melhor serviço e preços para os utilizadores em prol de um desconto corporativo por venda em atacado. Até porque, feitas as contas, a Epic passa a oferecer apenas um desconto de 20% em toda as compras feitas na sua loja que não têm de pagar os 30% devidos à presença na App & Play Store.

À Epic deixo a minha sugestão de verdadeiramente libertar o Fortnite através de um sistema de workshop onde os jogadores podem criar skins e ganhar royalties pela sua utilização, pagando taxas abaixo dos 30%.

Para a Apple fica apenas a consagração da frase de Harvey Dent (o vilão de duas caras de Batman): «Podemos morrer como um herói ou viver tempo suficiente para nos tornarmos num vilão».