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Há Uma App Para TudoOpinião

Con texto

Se já não abrimos apps, se já não navegamos em menus, se já não tomamos micro-decisões constantemente… o que acontece ao ecossistema inteiro construído à volta disso?

António Simplício
Publicado em 9 de Maio, 2026
Tempo de leitura: 2 min
© fullvector / Freepik

Usar um smartphone sempre implicou um ritual: abrir apps, escolher acções e navegar em menus. Durante anos, a UX foi o centro do mobile: menos cliques, melhor navegação e interfaces limpas: este era o objetivo. A obsessão era melhorar a experiência porque era aí que a UX brilhava, algo que agora começa a parecer desnecessário.

O contexto em que nos encontramos passou a ser a interface, algo que começou com pequenas acções automáticas dentro dos sistemas operativos: o telemóvel a silenciar à noite ou a rota sugerida antes de entrarmos no carro. Mas, agora, com modelos de inteligência artificial cada vez mais integrados no próprio dispositivo, a coisa muda de escala. Deixa de assistir e passa a executar.

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Se o telemóvel começa a decidir, a agir e a ajustar-se em tempo real, o papel da interface deixa de ser central. Passa a ser apenas um fallback, algo que só usamos quando o sistema falha. E isso levanta uma questão interessante.

Se já não abrimos apps, se já não navegamos em menus, se já não tomamos micro-decisões constantemente… o que acontece ao ecossistema inteiro construído à volta disso? App stores, notificações, onboarding, engagement, tudo isso parte do princípio de que o utilizador está ativamente envolvido.

Mais: delegar decisões a algoritmos é confortável… até deixar de ser. Quando tudo funciona sem interação, também se torna menos transparente. O que foi realmente decidido por nós? E com base em quê? Estamos prontos para passar apenas a revisores de (con)texto?

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Etiquetas:IAOpiniãoUX
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