É inevitável escrever sobre o iPhone Duo. Tenho o WhatsApp pejado de piadas de utilizadores e amigos (sim, por vezes, há que fazer uma distinção…) sobre o facto de alguns deles já não terem rins para vender. Mas já lá iremos.
O preço europeu anunciado causou algumas ondas de choque. E não é difícil perceber a razão: quando o preço de um telefone começa a aproximar-se perigosamente do de um computador digno desse nome, a conversa deixa de ser apenas sobre tecnologia e passa a ser sobre prioridades, poder de compra e gestão do desejo.
Para já, estamos numa fase que um anúncio da Apple sempre provoca. É disruptivo face ao que temos hoje como adquirido nos telefones da maçã. A marca sabe (oh, se sabe…) que há produtos que não se vendem apenas pelas especificações técnicas. Vendem-se pelo desejo, pela experiência, pelo ecossistema e por aquela sensação (difícil de explicar a quem está fora do círculo dourado) de que um objecto pode ser, de muitas maneiras, especial. O iPhone Duo vai levar essa lógica um pouco mais adiante. Ou, pelo menos, fazer-se pagar bem mais por ela.
Pessoalmente, acho-o um telefone bastante desejável. Melhor: achei, até ler a etiqueta. Falta-me ainda perceber a parte ergonómica, o manuseio em cenário de vida real. Sou o utilizador que regrediu de um Max para um telefone mais pequeno por razões de puro manuseio. Mas também fui a pessoa que nunca achou que um iPad resolvesse a questão da produtividade em movimento – é por isso que tenho um MacBook Air. Aqui, fico num meio termo, porque um teclado faz-me demasiada falta.
O preço é, pela minha análise, excessivo. Quando pedi uma adjectivação a profissionais cuja vida é vender telefones, ouvi e li palavras como ‘pornográfico’ ou ‘surreal’, além de me terem dito coisas como: ‘Aniceto, tenho um Samsung para te vender…’.
E, em abono da verdade, também ouvi de um gestor público, a quem uma compra de um Duo não doeria da mesma forma que ao comum mortal, umas frases maravilhosas sobre o facto de serem os meus impostos que iriam sustentar a compra (palmas para este gestor, por favor).
Mas, também sei que a pressão de pré-compra deste modelo nos canais de distribuição está a ser alta, até para relativa surpresa dos intervenientes na pirâmide tecnológica. Por isso, vamos aguardar pelos próximos meses com um sorriso enigmático e perceber quem é que vence este jogo.
