O projecto ITER, o maior reactor de fusão nuclear do mundo, atingiu um marco fundamental na sua construção no sul de França, em Saint-Paul-lès-Durance. Um consórcio europeu entregou no local o nono e último sector da câmara de vácuo, também conhecida como câmara de plasma. Esta estrutura actua como a primeira barreira de contenção do reactor e abriga as reacções. O objectivo principal deste esforço que envolve 35 nações, passa por replicar o processo que ocorre no interior das estrelas para gerar energia limpa, sem produzir os grandes volumes de resíduos radioactivos associados aos reactores de fissão nuclear tradicionais.
Uma estrutura colossal de aço inoxidável
A câmara de vácuo é um componente central do reactor do tipo tokamak, que tem um formato em anel. Fabricada em aço inoxidável, a estrutura garante um ambiente limpo para as reacções e serve de suporte para a colocação dos ímanes supercondutores responsáveis por controlar os movimentos do plasma. O design completo exige a união de nove sectores que, em conjunto, criam um volume interno de 1.400 metros cúbicos. Cada uma destas nove peças mede cerca de 14 metros de altura e pesa 440 toneladas. A construção individual de cada secção obriga à execução de mais de 1.600 metros de soldadura para unir os quatro segmentos que a compõem.
Quando a montagem estiver concluída, a câmara de vácuo vai atingir um diâmetro de 19,4 metros. Se adicionarmos componentes extra à equação, como o manto e o diverso, o peso total da estrutura vai chegar às 8.500 toneladas, segundo avança o site Interesting Engineering. A responsabilidade pelo fabrico dos sectores foi dividida entre a Coreia do Sul, que produziu quatro unidades, e a Europa. O consórcio europeu AMW assumiu a construção das restantes cinco peças, e a última chegou às instalações na semana passada. Todo este esforço de engenharia procura sustentar reacções por longos períodos, um desafio complexo onde o recente avanço histórico na energia de fusão graças à computação quântica desempenha um papel cada vez mais relevante na viabilização desta tecnologia.
