A corrida pela supremacia quântica acaba de ganhar um novo fôlego. A Infleqtion conseguiu um feito inédito ao demonstrar a viabilidade de 30 qubits lógicos entrelaçados a partir de apenas 80 qubits físicos no seu computador Sqale. Segundo o site The Interesting Engineering, este marco coloca a empresa norte-americana na linha da frente da inovação. Trata-se da primeira vez que uma empresa focada na tecnologia de átomos neutros atinge este ponto num sistema comercial. O impacto desta descoberta é profundo, pois aproxima a indústria de um futuro onde as máquinas poderão executar cálculos longos de forma totalmente fiável.
Compreender a magnitude deste avanço exige olhar para a própria natureza da mecânica quântica. Os qubits físicos tradicionais são extremamente frágeis e sofrem uma degradação rápida nos cálculos devido ao ruído ambiental. Para contornar este obstáculo, os engenheiros agrupam várias unidades físicas através de protocolos de software, criando assim um qubit lógico muito mais estável. A equipa da Infleqtion combinou o desenho simultâneo de hardware e software com uma descoberta feita com ajuda de inteligência artificial, o que permitiu reduzir para metade as portas físicas necessárias para operações vitais. O sinal obtido foi cerca de 1.000 vezes mais forte do que o ruído de fundo habitual. Todo este esforço aproxima o mercado de uma era de processamento perfeito, uma meta que tem levado a que gigantes como a Microsoft a antecipar uma revolução quântica para 2029.
O caminho para a perfeição computacional
O objectivo traçado é ambicioso e tem datas bem definidas. A empresa tenciona entregar um sistema com 100 qubits lógicos até ao ano de 2028, validando assim a arquitectura central do hardware Sqale e da plataforma de software Superstaq. Matt Kinsella, director executivo da Infleqtion, sublinha que colocar 30 qubits lógicos a trabalhar em conjunto é uma tarefa hercúlea. O responsável destaca que o desenho conjunto do equipamento e dos programas foi essencial para alcançar este resultado com tão poucas unidades físicas. A meta final passa por entregar aos clientes uma máquina capaz de resolver problemas que hoje são absolutamente impossíveis de decifrar.
Já existem três clientes a utilizar activamente estes circuitos na plataforma Sqale. Um dos projectos mais promissores é o programa Wellcome Leap Quantum for Bio, dedicado à descoberta de biomarcadores. Neste âmbito, a empresa foi pioneira ao demonstrar uma abordagem de redes neuronais quânticas que treina dados em unidades de processamento gráfico e faz a inferência directamente no processador quântico. Este trabalho, que começou com apenas 12 qubits lógicos, escalou agora de forma sustentada. A aplicação prática desta tecnologia começa a ganhar forma em várias áreas cruciais da ciência, de forma semelhante ao momento em que a IBM anunciou um avanço histórico na energia de fusão através destes novos paradigmas de cálculo.
Arquitectura dinâmica e reconfigurável
A magia acontece na intersecção perfeita entre as máquinas e as linhas de código. A plataforma Superstaq une as capacidades de endereçamento individual de cada qubit com matrizes de átomos que se reconfiguram dinamicamente em tempo real. Esta simbiose técnica mantém uma conectividade total entre todos os elementos do sistema. Ao mesmo tempo, minimiza os problemas típicos associados ao movimento dos átomos, como a acumulação de erros, a perda de partículas e os atrasos durante a execução das tarefas. O futuro do processamento avançado está a ser escrito agora, e os átomos neutros parecem ter a chave para a estabilidade há muito procurada pelos cientistas.
