A gigante de Redmond deu um passo enorme na computação quântica. Depois de ter lançado a primeira versão no ano passado, a Microsoft revelou o seu mais recente chip quântico topológico, o Majorana 2. Esta nova iteração traz uma fiabilidade mil vezes superior à da geração anterior, apresentada no ano passado. O avanço é tão significativo que a empresa reviu os seus planos originais. Se antes a meta para alcançar uma computação quântica prática estava fixada em 2035, agora a expectativa é ter um computador quântico comercial e escalável já em 2029.
O salto na estabilidade dos qubits
O grande trunfo do Majorana 2 reside na capacidade de manter o estado quântico dos seus qubits durante muito mais tempo. Enquanto as abordagens comuns à computação quântica medem o tempo de vida de um qubit em microssegundos, a Microsoft afirma que o novo chip consegue atingir os vinte segundos, havendo mesmo instâncias a chegar a um minuto completo.
Esta estabilidade, aliada a operações de um microssegundo e ao tamanho reduzido dos qubits, coloca a equipa no bom caminho para criar uma máquina comercialmente valiosa. O objectivo passa por ajudar a resolver problemas complexos à escala global, desde a saúde e o fornecimento de alimentos até à sustentabilidade e à produção de energia.
A Inteligência Artificial como motor de inovação
Para criar o Majorana 2, a Microsoft utilizou Inteligência Artificial agêntica, que consiste em agentes autónomos a trabalhar sob a orientação de cientistas humanos. Durante anos, a empresa estudou a utilização de chumbo nos seus chips, mas foi com a ajuda desta IA que conseguiu ultrapassar os obstáculos técnicos e fazer a transição do tradicional alumínio para um supercondutor de chumbo. Chetan Nayak, membro técnico da Microsoft, sublinhou que esta foi uma mudança bastante grande e que conduziu a melhorias enormes na qualidade do dispositivo.
Microsoft Discovery chega aos investigadores
Em paralelo com o novo chip, foi anunciada a disponibilidade geral do Microsoft Discovery. Esta é a mesma ferramenta que a empresa utilizou para alcançar os avanços do Majorana 2 e permite que organizações externas implementem equipas de agentes de IA para investigação científica. A plataforma promete acabar com décadas de pesquisa isolada e unir diferentes áreas, como a física, a engenharia e os materiais.
Actualmente, a aplicação Microsoft Discovery está disponível de forma gratuita numa versão de pré-visualização para utilizadores individuais do GitHub Copilot, podendo ser acedida de forma simples através do seu browser de eleição.
Um aviso para a segurança digital
A convergência entre a Inteligência Artificial e a computação quântica mostra como uma tecnologia pode acelerar o desenvolvimento da outra. No entanto, esta antecipação do calendário comercial serve também de alerta para os programadores e para as empresas que desenvolvem aplicações e serviços baseados em encriptação. Com a ameaça dos computadores quânticos a chegar seis anos mais cedo do que o previsto, torna-se urgente criar métodos de segurança capazes de resistir a este novo poder de processamento.