A Valve está a enfrentar um cenário complicado no mercado de hardware. Para tentar contornar a escassez de chips provocada pelo pico de procura na área da inteligência artificial, a empresa decidiu aumentar substancialmente o preço da sua consola portátil. No entanto, os consumidores responderam de forma clara a esta estratégia ao deixarem de comprar o equipamento. De acordo com os dados partilhados pelo site TechSpot, a decisão de retirar os modelos LCD mais acessíveis do mercado e vender apenas as versões OLED mais caras resultou num desastre.
Uma quebra sem precedentes nas vendas
Os números mostram uma realidade dura para a fabricante. Ao longo de 2025, a consola ocupou frequentemente os lugares cimeiros na tabela de produtos mais vendidos da plataforma. Contudo, a transição para 2026 trouxe um aumento de 300 dólares no preço base. Embora as unidades OLED parecessem esgotar numa fase inicial, as estimativas actuais indicam que a Valve está a vender menos 82% de unidades em comparação com o ano anterior.
As vendas semanais caíram de uma média de 11 a 18 mil unidades para um modesto intervalo entre 1400 e 3000 consolas. Esta quebra no volume traduz-se também numa queda de 72% nas receitas globais do hardware, provando que a tentativa de passar os custos da cadeia de abastecimento para o cliente final teve um efeito devastador.
Concorrência feroz e o futuro do ecossistema
O principal problema reside no valor percepcionado pelos jogadores. Se a consola era uma opção extremamente atractiva quando custava cerca de 650 dólares, a barreira dos 1000 dólares exigida pelo modelo de 1 TB afasta os potenciais compradores. Neste segmento de preço, os utilizadores mais exigentes preferem investir em máquinas mais poderosas, como a MSI Claw 8 EX AI+ ou a Asus ROG Ally X.
Apesar deste revés, a empresa continua a preparar o futuro a longo prazo, mesmo que a chegada de uma verdadeira sucessora para a sua consola portátil ainda esteja distante. Paralelamente, a gigante norte-americana não baixa os braços no que toca ao software. A vontade de expandir o seu sistema operativo a outras plataformas é evidente, um esforço reforçado recentemente com a introdução de compatibilidade para chips da Intel nas versões de teste do software.
Resta agora perceber se esta crise de vendas se vai alastrar a outros projectos de hardware da marca, como as Steam Machines. A indústria tecnológica atravessa uma fase de grandes transformações e, embora seja cedo para ditar o fim da consola portátil da Valve, os próprios engenheiros da empresa já admitiram que o cenário pode piorar antes de começar a melhorar.
