A Valve está a preparar uma mudança profunda na sua estratégia de hardware e software. O SteamOS, que passou grande parte da sua vida como um ecossistema fechado e optimizado quase exclusivamente para os dispositivos da própria marca, está a abrir portas. A empresa está a colaborar activamente com gigantes da indústria para garantir que o seu sistema operativo baseado em Linux funcione em praticamente qualquer computador.
Uma base mais abrangente para o futuro
A versão 3.8.10 do SteamOS é o ponto de viragem. Esta actualização adiciona suporte inicial para futuras plataformas e melhora significativamente a compatibilidade com consolas portáteis baseadas em arquitecturas da Intel e da AMD. Na prática, a Valve está a construir os alicerces para uma plataforma muito mais vasta.
Este esforço contínuo já tinha dado sinais claros com a actualização recente focada no novo hardware da marca, bem como com a introdução de suporte experimental para os chips mais recentes da Intel. O que antes parecia ser apenas uma manutenção de rotina, revela-se agora um plano ambicioso para conquistar o ecossistema dos computadores pessoais.
A parceria com a Intel e o desafio dos preços
A relação com a Intel vai muito além de algumas correcções de software. Como avança o site The Verge, a Valve está a trabalhar em estreita colaboração com os engenheiros da Intel para optimizar o SteamOS ao nível gráfico. O objectivo é garantir que o sistema operativo funcione na perfeição na plataforma Panther Lake, a arquitectura por trás do SoC Arc G3 Extreme que faz funcionar consolas portáteis como a MSI Claw 8 EX AI+.
Embora este dispositivo da MSI chegue ao mercado com o Windows, a Intel reconhece a exigência dos utilizadores por uma alternativa Linux. No entanto, o preço elevado reflecte a realidade actual do mercado. Andy Chu, responsável de marketing de produto da MSI, explica que os custos de memória e armazenamento dispararam devido à procura da indústria de inteligência artificial, deixando as empresas sem margem para absorver estes aumentos. O executivo avisa ainda que a situação pode piorar antes de melhorar.
O obstáculo da Nvidia e a liberdade de escolha
Com hardware dispendioso e um ecossistema fragmentado, as ambições da Valve parecem cada vez mais estratégicas. Pierre-Loup Griffais, engenheiro da Valve, refere que os utilizadores já podem começar a construir as suas próprias máquinas com o hardware que têm à disposição. A experiência será muito semelhante à de utilizar uma Steam Deck ligada a um monitor, embora existam algumas limitações.
O suporte para componentes da Nvidia é a lacuna mais notória. A Valve está a colaborar com a fabricante para integrar os controladores necessários, mas o processo é complexo. Como o SteamOS é um sistema imutável com um sistema de ficheiros apenas de leitura, a inclusão de controladores proprietários da Nvidia coloca um desafio técnico muito diferente dos controladores de código aberto da AMD e da Intel, que já estão integrados de raiz.
A integração da AMD, por exemplo, já se encontra num estado bastante avançado, permitindo até aos jogadores tirarem partido de tecnologias de optimização de imagem nas placas gráficas RDNA 3. Para a Nvidia, a previsão mais realista aponta a compatibilidade total apenas para 2027. O que fica claro é que o SteamOS está a ser deliberadamente expandido para ir ao encontro do mercado, em vez de esperar que o mercado se adapte a ele.