À medida que o Campeonato do Mundo se aproximou da grande final em Nova Iorque, as autoridades internacionais prepararam-se para concluir uma das maiores operações antipirataria da história do desporto. O interesse global pelo torneio é inegável, algo que ficou provado quando os embates ibéricos geraram um pico histórico de tráfego na Internet. No entanto, este volume massivo de espectadores também atraiu redes ilícitas. De acordo com o site TorrentFreak, uma força conjunta de parceiros públicos e privados apreendeu mais de mil domínios de plataformas de streaming não autorizadas.
A ofensiva norte-americana
Nos Estados Unidos, o Departamento de Justiça (DOJ) anunciou a “Operation Offsides”, focada em plataformas que transmitiam os jogos de forma ilegal. Esta ação é pelo menos cinco vezes maior do que a realizada no Mundial do Catar em 2022. A operação teve o apoio de entidades como a FIFA, beIN Media Group e Warner Bros, a estender-se a países como o Peru, a Bulgária e a Croácia.
As autoridades apreenderam centenas de endereços web em várias vagas. Quando os utilizadores tentavam aceder a estas páginas através do seu browser, deparavam-se com um aviso de apreensão governamental. Para tentar contornar a lei, muitos operadores começaram a migrar as suas infraestruturas para domínios iranianos, a procurar escapar à jurisdição dos EUA.
O impacto na América Latina
A Colômbia liderou uma iniciativa paralela baptizada “Operación Tarjeta Roja”. Esta acção internacional juntou forças de segurança e ministérios públicos de nove países, a incluir o Brasil, a Argentina e o Chile. Apenas em território colombiano, as autoridades suspenderam 1140 domínios e URL usados para transmissões ilegais. No total dos países participantes, o número chegou aos 1840.
A operação não se limitou ao mundo digital. As autoridades detiveram quinze pessoas, a envolver um grupo que invadiu os sistemas de uma empresa de telecomunicações para vender pacotes de televisão falsificados. Além disso, foram apreendidos milhares de artigos desportivos contrafeitos, como camisolas e logótipos falsos prontos a ser aplicados em peças de roupa.
Bloqueios na Argentina e corte de receitas
Ainda durante o torneio, a unidade de cibercrime da Argentina abriu investigações contra várias plataformas, com destaque para o FútbolLibre, uma das marcas de streaming ilegal mais populares do país. Após queixas de detentores de direitos, os juízes federais ordenaram o bloqueio de catorze sites.
Para além da acção governamental, o Trustworthy Accountability Group (TAG) cortou as receitas publicitárias a 1376 páginas que lucravam com a pirataria.
