O governo do Reino Unido prepara-se para implementar medidas mais rigorosas no acesso dos mais novos a serviços digitais. A partir da primavera de 2027, os jovens com 16 e 17 anos vão estar sujeitos a um “recolher obrigatório” nas plataformas digitais, ficando impedidos de aceder às aplicações entre a meia-noite e as seis da manhã. A iniciativa tem como objectivo apoiar os pais e proteger a próxima geração dos perigos dos ambientes online.
Esta decisão surge no seguimento de uma política anterior, onde o executivo já tinha estabelecido o bloqueio total do acesso a estas plataformas para menores de dezasseis anos, com entrada em vigor prevista para o próximo ano. A ideia agora é criar uma transição suave, evitando que os adolescentes passem de uma restrição absoluta para um acesso ilimitado de um dia para o outro, ajudando-os a aprender a usar a Internet de forma saudável antes de as barreiras serem totalmente levantadas.
Fim das funcionalidades viciantes
Além do bloqueio nocturno, as novas directrizes exigem que as empresas tecnológicas desactivem, por defeito, as funcionalidades consideradas viciantes para esta faixa etária. Isto significa que a reprodução automática de vídeos, muito popular em plataformas como o TikTok ou nos Reels do Instagram, deixará de estar activa. Os feeds de conteúdo infinitos e altamente personalizados também vão sofrer limitações.
Um estudo governamental com trezentos participantes demonstrou que a imposição de limites nocturnos foi rapidamente assimilada nas rotinas dos jovens, resultando em melhorias significativas no sono e na capacidade de concentração. Resta saber como será feita a verificação etária, um desafio técnico que tem gerado dores de cabeça noutros países, como se viu recentemente quando a legislação australiana se revelou ineficaz a obrigar as plataformas a confirmar a idade dos utilizadores.
Inteligência Artificial e literacia digital
O pacote de medidas estende-se igualmente à Inteligência Artificial. O governo britânico quer garantir que as crianças e adolescentes utilizam os chatbots de forma segura. Para isso, estão previstas pausas regulares obrigatórias para os menores de dezoito anos. As autoridades vão também trabalhar em conjunto com os reguladores para combater serviços que forneçam conselhos perigosos, enganosos ou não verificados sobre saúde mental, havendo mesmo a possibilidade de banir chatbots que representem uma ameaça grave.
Para reforçar a literacia digital, o currículo escolar nacional vai ser actualizado. Os alunos vão aprender a lidar com novas tecnologias e a identificar desinformação, bem como conteúdos violentos ou misóginos, através das aulas de Educação Relacional, Sexual e para a Saúde.
