Lembram-se de nos terem chamado ‘piratas’ pelos downloads? Agora são as editoras a processar a Meta por usar milhões de livros (sacados de sites como o LibGen e o Books3) para treinar a sua IA. A ironia é deliciosa. A Meta defende-se com o “fair use”, mas a verdade é que as Big Tech consideram que o trabalho alheio é um buffet livre. Na Europa já se fala em forçar estas empresas a pagar uma taxa de 5 a 7% das receitas.
No campo dos direitos, o Tribunal de Justiça da UE (TJUE) deu um golpe na nossa liberdade digital. Decidiram que descarregar conteúdos para ver offline numa app de streaming (com os famosos DRM) não conta como “cópia privada”. Ou seja, o tribunal diz-nos que já não somos donos de nada, somos meros subscritores controlados pelas plataformas e pelos seus bloqueios técnicos. Se pensarmos bem, é o fim definitivo do conceito de posse na era digital, tudo em prol de garantir as receitas dos monopólios do entretenimento.
Para fechar, a autoridade de protecção de dados italiana passou uma multa de 12,5 milhões aos correios italianos. A app dos correios italianos, em parceria com a sua subsidiária de pagamentos, fazia scan às apps nos telemóveis com a desculpa de “prevenir fraudes”. Imaginem só: um banco a cuscar a vossa lista de apps (de saúde, VPN, outros bancos) instaladas para vos avaliar. A velha segurança usada como pretexto para violar a privacidade.