Após quase um quarto de século a funcionar como empresa privada, a SpaceX entregou os documentos para a sua Oferta Pública Inicial (IPO). Segundo o site Ars Technica, a empresa liderada por Elon Musk submeteu um relatório de quase 400 páginas à comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos (SEC), para preparar a entrada na bolsa já a 12 de Junho.
A operação pode elevar a avaliação da empresa para os dois biliões de dólares (cerca de 1,8 biliões de euros), o que poderá fazer de Elon Musk o primeiro “trilionário” do mundo. Os documentos revelam que a SpaceX gerou 18,67 mil milhões de dólares em receitas durante 2025, um aumento de 33% face ao ano anterior. Grande parte deste crescimento deve-se ao serviço de acesso à Internet via satélite Starlink, que duplicou o número de utilizadores para 10,3 milhões de subscritores em todo o mundo.
O peso da inteligência artificial
Apesar das receitas recorde, o Ars Technica avança que a empresa registou perdas de 4,94 mil milhões de dólares em 2025, devido ao investimento massivo no desenvolvimento de inteligência artificial. A SpaceX absorveu recentemente a xAI e a rede social X (antigo Twitter), cujos serviços pagos os subscritores acedem diariamente através da aplicação ou do browser.
Esta aposta na IA é central para o futuro da empresa, que já está a desenvolver de GPU próprios para IA antes da entrada em bolsa. A SpaceX projecta um mercado total endereçável de 28,5 biliões de dólares e descreve-o como o maior da história humana. Deste valor, 26,5 biliões estão ligados à inteligência artificial e aos serviços empresariais.
O site Interesting Engineering destaca ainda um acordo recente em que a Anthropic vai pagar cerca de 1,25 mil milhões de dólares por mês à SpaceX, até Maio de 2029, para aceder à capacidade de computação na nuvem do centro de dados Colossus. A ambição de Musk não se fica pela Terra, existindo já conversações onde a Google e a SpaceX negoceiam uma aliança para construir data centers no espaço.
O custo da exploração espacial
O negócio dos foguetões continua a ser o núcleo da identidade da SpaceX. A empresa gastou cerca de 15 mil milhões de dólares a desenvolver o Starship, o sistema de lançamento de próxima geração destinado a missões na Lua e em Marte. A cadência de lançamentos mantém-se alta para clientes comerciais e governamentais, como se viu recentemente quando Portugal lançou seis satélites e reforçou a presença no Espaço na missão Transporter-16 que arrancou com a SpaceX.
Contudo, o relatório financeiro não esconde os problemas operacionais. O documento menciona a morte recente de um trabalhador após uma queda numa instalação no Texas, além de centenas de ferimentos no local de trabalho ligados às operações da empresa.
Controlo absoluto de Elon Musk
Após a entrada na bolsa, Elon Musk vai manter o controlo de cerca de 85% votos e vai acumular os cargos de CEO, presidente e director de tecnologia. A oferta pública promete eclipsar o recorde estabelecido pela Saudi Aramco em 2020 que obteve uma avaliação 1,7 biliões de dólares. Os investidores de retalho poderão ter acesso directo ao IPO através de várias plataformas financeiras, para alargar a participação naquela que é uma das entradas em bolsa mais aguardadas dos últimos anos.