A Google está a negociar com a SpaceX para garantir apoio no seu esforço inicial de colocar data centers em órbita. A notícia é avançada pelo The Wall Street Journal, que indica que um eventual acordo colocaria duas empresas concorrentes a trabalhar em conjunto num objectivo comum.
O plano da gigante das pesquisas, conhecido como Projecto Suncatcher, foi anunciado em Novembro do ano passado e tem como objectivo explorar a viabilidade de infraestruturas de processamento de dados baseadas no espaço. Curiosamente, esta iniciativa da Google antecede a própria incursão da empresa de Elon Musk neste segmento. Em Fevereiro deste ano, Musk revelou que a SpaceX adquiriu a xAI com o intuito de lançar satélites de processamento de dados, uma jogada ambiciosa para dominar a computação fora da Terra.
De acordo com o The Wall Street Journal, a Google não se limita a conversar com a SpaceX. A empresa liderada por Sundar Pichai está a dialogar com outras empresas de lançamento de foguetões e já se encontra a colaborar com a Planet Labs para desenhar e construir os satélites que planeia enviar para o espaço.
Visões partilhadas sobre o futuro da computação
Tanto Sundar Pichai como Elon Musk encaram os data centers orbitais como uma inevitabilidade tecnológica. Numa entrevista concedida em Novembro, o director executivo da Google referiu que, dentro de uma década, a indústria vai olhar para esta abordagem como a forma mais normal de construir infraestruturas de dados.
Por seu turno, durante o anúncio da fusão entre a SpaceX e a xAI em Fevereiro, Elon Musk afirmou que, num prazo de três anos, os satélites vão representar a forma mais barata de gerar poder de computação para Inteligência Artificial. Esta convergência de ideias mostra que as grandes empresas tecnológicas procuram alternativas fora do planeta para executar tarefas cada vez mais exigentes.
Os desafios técnicos e ambientais
Apesar do optimismo dos líderes tecnológicos, a comunidade científica mantém reservas. Em Fevereiro vários especialistas expressaram dúvidas sobre a possibilidade de realizar inferência de Inteligência Artificial no espaço em grande escala.
Um dos principais obstáculos prende-se com a radiação cósmica. Os processadores gráficos (GPU) instalados nos satélites estariam sujeitos a uma exposição constante, o que afectaria drasticamente a sua capacidade de realizar cálculos sem erros. Além disso, o arrefecimento destes componentes no vácuo espacial é uma grande dificuldade, uma vez que a única forma de dissipar o calor é irradiá-lo lentamente.
A somar a estas barreiras técnicas, existe a preocupação com o impacto ambiental. Colocar milhões de satélites na órbita baixa da Terra tem uma forte probabilidade de causar efeitos prejudiciais na atmosfera do planeta. Esta densidade de equipamentos também ameaça a capacidade de outras empresas e governos operarem as suas naves espaciais em segurança.
Ainda assim, as negociações recentes indicam que a Google está disposta a investir fortemente para superar estes obstáculos, a procurar alianças estratégicas para garantir que o Projecto Suncatcher se torna uma realidade a médio prazo.