A Nintendo confirmou recentemente que vai aumentar o preço da Switch 2 em vários mercados globais, incluindo o europeu. A decisão surge num momento em que a gigante nipónica enfrenta custos mais elevados na aquisição de componentes, especialmente no mercado das memórias, e lida com o impacto de novas tarifas comerciais nos Estados Unidos.
De acordo com o mais recente documento financeiro da empresa, o aumento nos Estados Unidos será de 50 dólares, com a consola a passar a custar 500 dólares a partir de 1 de Setembro de 2026. Na Europa, os consumidores também vão sentir o impacto na carteira, uma vez que o preço oficial na My Nintendo Store vai passar dos actuais 469,99 para 499,99 euros.
Esta subida de preço no hardware junta-se a outras tendências do mercado que afectam o orçamento dos jogadores, numa altura em que se sabe que os títulos em formato físico vão exigir um investimento maior face às edições digitais.
Pressão financeira e o custo dos componentes
Apesar do sucesso comercial da nova máquina, a empresa tem estado sob forte escrutínio. Um artigo da Bloomberg indica que as acções da Nintendo registaram uma queda superior a 30% este ano, a descer de 68,15 dólares no início de 2026 para os actuais 47,38 dólares. A única excepção a esta trajectória descendente ocorreu em Março, impulsionada pelo lançamento do jogo Pokémon Pokopia.
Esta quebra na bolsa gerou preocupação entre os accionistas, que começaram a pressionar a administração para rever a estratégia de preços. A Switch 2, lançada originalmente em Junho de 2025, tem sido vendida com prejuízo, uma mudança drástica de rumo face à primeira geração da consola, que gerava lucro em cada unidade comercializada. Um analista do mercado refere que, mesmo com este aumento de preço, a consola não se torna verdadeiramente lucrativa, passando apenas a representar um fardo menor para as finanças da marca.
O presidente da Nintendo, Shuntaro Furukawa, tinha prometido numa entrevista em Novembro de 2025 que não iria alterar o valor da consola em 2026. Contudo, o executivo deixou o aviso de que a promessa apenas se manteria caso a empresa não tivesse de absorver pressões inflacionárias derivadas de tarifas ou do custo de produção. A crise global das memórias, impulsionada pela procura do sector da Inteligência Artificial, acabou por forçar a alteração dos planos.
Impacto global e subida de preços nos serviços
As alterações de preço vão começar a fazer-se sentir primeiro no Japão. A partir de 25 de Maio de 2026, o modelo da Switch 2 com bloqueio de idioma japonês vai sofrer um agravamento de 10.000 ienes, a passar de 49.980 para 59.980 ienes. Curiosamente, o modelo multilingue vendido na loja oficial japonesa vai manter o valor actual por enquanto. O mercado canadiano também não escapa, com a consola a saltar dos 629,99 para os 679,99 dólares canadianos.
As consolas da geração anterior também vão ficar mais caras no mercado nipónico. O modelo OLED vai subir para 47.980 ienes, a versão standard passa para 43.980 ienes e a edição Lite vai custar 29.980 ienes. Além do hardware, os serviços digitais acompanham a tendência. A partir de 1 de Julho de 2026, a subscrição anual individual do Nintendo Switch Online no Japão sobe de 2.400 para 3.000 ienes, enquanto o plano familiar passa para 5.800 ienes. O pacote de expansão (Expansion Pack) também sofre aumentos semelhantes em ambas as modalidades.
Vendas de consolas e o sucesso do software
Apesar do cenário financeiro complexo, a adopção da nova plataforma continua a mostrar números robustos. A empresa revelou ter expedido 2,49 milhões de unidades da Switch 2 no último trimestre, a atingir a marca de 19,86 milhões de consolas vendidas em apenas três trimestres do último ano fiscal. No entanto, a previsão para o próximo ano fiscal aponta para uma desaceleração, com a marca a estimar a venda de 16,5 milhões de unidades.
Muitos analistas esperavam previsões superiores a 20 milhões de unidades, mas a empresa nipónica parece querer acalmar as expectativas, sublinhando que 16,5 milhões ainda representa um nível sólido de adopção para o segundo ano de vida do equipamento.
O grande motor de lucro continua a ser o software. As vendas conjuntas de jogos para a Switch e Switch 2 atingiram 185,62 milhões de unidades no ano fiscal de 2025. Entre os maiores sucessos destacam-se Mario Kart World com 14,7 milhões de cópias, Pokemon Legends Z-A com 8,5 milhões e Donkey Kong Bananza a registar 4,5 milhões de unidades vendidas. Fora do universo dos videojogos, o filme Super Mario Galaxy gerou receitas superiores a 800 milhões de dólares nas primeiras quatro semanas de exibição.
No cômputo geral, as receitas da Nintendo no ano fiscal de 2026 subiram 98,6% face a 2025, a alcançar os 14,7 mil milhões de dólares. Para o próximo ano, a empresa prevê uma queda de 11,4% nas receitas, mas espera um ligeiro aumento no lucro operacional graças à força das vendas de software, mesmo após contabilizar custos adicionais na ordem dos 100 mil milhões de ienes devido ao preço dos componentes e às novas medidas alfandegárias.