Uma operação internacional coordenada entre as autoridades dos Estados Unidos e da China resultou recentemente na detenção de pelo menos 276 suspeitos e no encerramento de nove call centers fraudulentos. A acção, liderada pela Polícia do Dubai em parceria com o FBI e o Ministério da Segurança Pública chinês, desmantelou esquemas de falsos investimentos em criptomoedas que visavam cidadãos norte-americanos. De acordo com o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ), a intervenção permitiu reter mais de 700 milhões de dólares em activos digitais ligados ao branqueamento de capitais.
Entre os detidos encontram-se cidadãos da Birmânia e da Indonésia, capturados no Dubai e na Tailândia. Indivíduos como Thet Min Nyi, Wiliang Awang, Andreas Chandra e Lisa Mariam enfrentam agora acusações federais de fraude e branqueamento de capitais nos Estados Unidos. A. Tysen Duva, procurador-geral adjunto da Divisão Criminal do DoJ, refere que os criminosos não podem operar com impunidade, independentemente do local onde residem, a sublinhar que as autoridades estão a trabalhar em conjunto para eliminar estas ameaças sem fronteiras.
O esquema de burla e tráfico humano
Segundo a acusação, os arguidos geriam e recrutavam pessoas para trabalhar em três empresas distintas, nomeadamente a Ko Thet Company, o Sanduo Group e a Giant Company. O método utilizado envolvia enganar os utilizadores para que entregassem o seu dinheiro através de falsos investimentos em criptomoedas. Para o conseguir, os criminosos dedicavam-se a construir relações de confiança ao longo do tempo, muitas vezes a simular amizades ou envolvimentos românticos.
Esta operação ilícita está também intimamente ligada ao tráfico humano. Cidadãos estrangeiros eram coagidos a executar tarefas fraudulentas em condições análogas à escravatura, após serem atraídos com falsas promessas de empregos bem remunerados. O DoJ indica que, assim que as vítimas transferiam os fundos para as plataformas falsas, os activos eram rapidamente lavados e transferidos para outras contas, incluindo as dos próprios burlões.
Esforços das autoridades e detenções
A notícia destas acusações surge dias após o DoJ ter acusado dois cidadãos chineses, Jiang Wen Jie e Huang Xingshan, pelo seu papel numa grande operação de fraude e por alegadamente gerirem o complexo Shunda, na Birmânia. Estes indivíduos foram detidos pelas autoridades tailandesas no início de 2026, quando viajavam do Camboja para a Birmânia. Planeavam abrir um segundo centro de fraudes no Camboja, depois de as autoridades birmanesas terem apreendido as primeiras instalações em Novembro de 2025.
Para combater este tipo de crime de forma proactiva, o FBI lançou a iniciativa Operation Level Up em Janeiro de 2024. Até Abril de 2026, este programa já notificou quase 9000 vítimas e evitou perdas estimadas em 562 milhões de dólares. Além das detenções, a recente repressão global levou à apreensão de um canal do Telegram com mais de 6500 seguidores, usado para recrutar vítimas de tráfico humano, e de um conjunto de 503 sites de investimento falsos. Em simultâneo, o Departamento do Tesouro dos EUA aplicou sanções a um senador cambojano que se encontrava por trás de uma rede de complexos de cibercrime.