É muito possível que o meu próximo iPad seja um MacBook Neo. Tendo dito isto assim, de forma desabrida, e tenho confissões a fazer que só são compreensíveis por quem possa já ter dado uma espreitadela ao meu ambiente de trabalho e à caótica gestão de ficheiros que povoa a minha secretária digital (mas não apenas). Sim, o meu idoso iPad teve uma carreira curta (embora gloriosa), mas a respectiva gestão de ficheiros nunca me deixou completamente feliz. Eu explico: preciso de uma profusão de pastas, de versões, de drafts que parecem nunca mais terminar. Preciso de liberdade para espalhar documentos de comparação visual instantânea.
Nunca investi num Pro (mas estive bem tentado), o teclado físico faz-me falta (embora nunca o tenha adquirido por achar o seu preço ridículo, como ridículo considero o acumulado de investimento total para atingir aquilo que considero um setup equilibrado). A minha vida portátil acabou por ser ancorada a um MacBook Air já demasiado idoso (mas ainda competente para incursões em clientes), um portátil que já acusa algumas dificuldades e que será naturalmente substituído sem esforço financeiro violento.
Que aqueles que acham que podem trocar de cavalos de batalha por pouco mais de cinco centenas de euros se desenganem: se pensam que vão editar áudio e vídeo num Neo, pensem novamente. Não o vão fazer sem proferir obscenidades. O Neo é máquina para safar “na estrada”, mas não passa de um gadget económico, com sistema operativo decente e com a tranquilidade de um teclado físico incluído. Não tem um display de qualidade como aqueles a que nos fomos habituando (mas não envergonha) e não é, de todo, senão uma variante de preço, amarrada a um volume de memória RAM muito curto, que cobrará o preço desse pouco espaço daqui a muito pouco tempo. Gerará mais olhares de inveja dos vossos parceiros de reunião que um tablet (e estou curioso para ver quanto mercado canibalizará à própria Apple…).
E mais tarde ou mais cedo, para algumas tarefas mais pesadas, muitos de nós não deixarão de regressar a processadores, armazenamentos e sistemas mais potentes, não limitados como o deste MacBook Neo. Mas tenho a certeza de que, para a maioria das pessoas cujo universo não vai muito além da navegação, do processamento de texto ou cálculo, do omnipresente mail e messaging, está aqui o vosso próximo computador de mochila. Nenhuma dúvida sobre isso, aliás já justificada pela quantidade anormal de utilizadores Windows que já me perguntou por ele. Acho que, com excepção do iPad original, nunca tantos “non Mac” me colocaram a hipótese de embarcar numa viagem diferente… tinha ali um porquinho mealheiro com uma etiqueta a dizer ‘Drone’, mas acho que a vou descolar e escrever outra.