Os fabricantes de computadores estão a enfrentar novos desafios na sua cadeia de produção. À já conhecida escassez de chips de memória e armazenamento junta-se agora a falta de processadores da Intel e da AMD. Segundo avança o Nikkei Asia recentemente, empresas como a HP e a Dell relataram que o volume de processadores que lhes é entregue já não corresponde às quantidades necessárias para manter o ritmo de fabrico de PC.
Esta situação está a provocar um aumento directo nos preços, com os custos a subir em média entre 10 a 15 por cento. Mais preocupante ainda é o atraso nas encomendas. Os tempos de espera, que antes rondavam uma a duas semanas, saltaram para uma média de oito a doze semanas, com alguns casos extremos a chegar aos seis meses. Um executivo de uma marca de computadores de videojogos confessou à mesma publicação que o problema não se resolve apenas com dinheiro, sublinhando que a falta de CPU se agrava a cada dia que passa e já se equipara à crise dos chips de memória.
O impacto da inteligência artificial
Os primeiros sinais desta crise surgiram no início de Fevereiro, quando se registaram quebras de fornecimento de CPU para servidores na China. Tal como acontece com a memória e o armazenamento, este pico na procura tem origem nas grandes empresas focadas em inteligência artificial. Depois de absorverem todas as placas gráficas disponíveis entre 2023 e meados de 2025, o foco virou-se para outros componentes. Como as empresas de tecnologia estão dispostas a pagar valores muito altos, os fabricantes direccionaram a maior parte da sua capacidade de produção para clientes premium, deixando o resto do mercado de consumo a lutar pelas sobras.
Embora o treino de modelos de inteligência artificial dependa muito das placas gráficas, o resto do sistema precisa de processadores para executar o resto das tarefas. Com a popularidade dos modelos mais pequenos e da inteligência artificial baseada em agentes, a necessidade de CPU para servidores disparou de drasticamente.
Oportunidade para a arquitectura Arm
O cenário para o mercado tradicional de computadores não é animador. Estima-se que a procura por CPU de servidor de uso geral possa aumentar quase 15 por cento em 2026. No entanto, a capacidade de produção da Intel está a crescer a um ritmo muito lento. Por seu turno, a AMD não tem fábricas próprias e precisa de competir por espaço de produção com gigantes como a Nvidia e a Google em fundições como a TSMC e a Samsung.
Apesar de a Intel tentar cativar os consumidores com novos produtos, como os recentes processadores focados em optimizar o desempenho em videojogos, e de a AMD apostar forte em novas soluções que trazem capacidades avançadas de inteligência artificial para os computadores de secretária, a incapacidade de dar resposta à procura global abre portas à concorrência.
Esta crise representa uma oportunidade de ouro para os chips baseados na arquitectura Arm ganharem terreno, especialmente nos computadores portáteis. Enquanto os jogadores mais exigentes preferem manter-se na arquitectura x86, os dispositivos com processadores Arm começam a ganhar importância. A Qualcomm continua a melhorar a experiência no Windows, e a concorrência aperta, com a expectativa de que um novo chip da Nvidia possa em breve rivalizar diretamente com as ofertas da Intel e da AMD. Se as duas gigantes do x86 não conseguirem satisfazer as necessidades do mercado, os consumidores e fabricantes não terão outra alternativa senão procurar novas soluções.