Os dados mais recentes publicados pela Jon Peddie Research (JPR), referentes ao quarto trimestre de 2025, traçam um cenário de monopólio absoluto no mercado de placas gráficas dedicadas. A Nvidia atingiu uma quota de 94 por cento, um valor histórico que contrasta com a queda abrupta da AMD para apenas 5 por cento. A Intel mantém-se estática com 1 por cento. Os dados revelam uma transferência de poder brutal no espaço de um ano, com a Nvidia a ganhar 10 pontos percentuais à custa da sua principal rival.
Ao cruzar as informações divulgadas, a JPR indica que os fabricantes expediram entre 11,48 e 11,5 milhões de unidades no último trimestre do ano. Este número representa uma descida de 4,4 por cento (cerca de meio milhão de placas) em relação ao terceiro trimestre, mas assinala um aumento expressivo de 36 por cento face aos 8,45 milhões de unidades registadas no mesmo período de 2024. Apesar deste crescimento homólogo, o mercado global de computadores está sob uma pressão imensa. Embora as vendas de processadores se mantenham saudáveis, com 21 milhões de unidades expedidas no trimestre, a taxa de adopção de placas gráficas dedicadas em computadores de secretária caiu para 55 por cento, o que traduz uma redução de 12,3 por cento. Isto sugere que os consumidores começam a optar por soluções com gráficos integrados mais avançados, de forma a evitar os custos proibitivos das placas dedicadas.
O declínio da AMD e a estagnação da Intel
A queda da AMD para os 5 por cento de quota de mercado encontra justificação em várias decisões comerciais e técnicas que afastaram os consumidores. A comunidade de entusiastas aponta falhas graves na estratégia de preços e de suporte de software. Por exemplo, a tecnologia de ampliação de imagem FSR 4 “Redstone” funciona apenas nas novas placas da série Radeon RX 9000. Esta decisão deixa as gerações anteriores sem suporte oficial, o que gera frustração entre os utilizadores fiéis à marca. Além disso, a arquitectura RDNA 4 compete apenas no segmento intermédio, sem qualquer oferta capaz de rivalizar com a Nvidia na gama alta.
A política de preços agrava ainda mais a situação da empresa. A nova Radeon RX 9060 XT chega às prateleiras com um valor superior ao da RTX 5060 da Nvidia, mas oferece uma solução inferior a vários níveis. Para ser competitiva e recuperar a confiança do público, a placa da AMD precisava de custar substancialmente menos do que a alternativa da concorrência, algo que não acontece no panorama actual.
Do lado da Intel, a quota de 1 por cento reflecte uma procura estável, mas manifestamente insuficiente para causar impacto nas contas globais. Desde o lançamento da arquitectura Arc “Alchemist”, a empresa não consegue sair deste patamar de um único dígito. Para alterar este cenário e assumir-se como uma terceira via viável, a marca precisa de lançar novos modelos com urgência, como a muito aguardada placa gráfica B770 da geração “Battlemage”.
Preços altos e escassez marcam o futuro do hardware
O relatório da JPR alerta para um cenário muito difícil em 2026 no que toca a preços e disponibilidade de componentes. O aumento dos custos da memória e a instabilidade da cadeia de abastecimento global, agravada por novas tarifas alfandegárias, estão a asfixiar o mercado de consumo. A escassez de memória assume o papel de principal factor de pressão. Os fabricantes preferem desviar os preciosos chips GDDR7 e GDDR6X para o hardware destinado a inteligência artificial e servidores empresariais, áreas onde as margens de lucro são muito superiores.
Como consequência directa desta estratégia, o segmento de videojogos para o consumidor comum fica com as sobras da produção. Esta dinâmica gera aumentos de preços constantes e fomenta a especulação no mercado paralelo. Montar um computador para jogar por menos de 500 euros é hoje uma missão quase impossível, o que dita o fim das máquinas de entrada de gama. O CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou recentemente que a escassez de componentes é fantástica para a empresa, uma declaração que reflecte a prioridade dada aos lucros corporativos em detrimento do acesso generalizado à tecnologia por parte dos jogadores.
Com todos estes factores em cima da mesa, a JPR prevê que o mercado de computadores e de placas gráficas dedicadas sofra uma contracção de quase 10 por cento ao longo de 2026. A falta de concorrência real na gama alta e os preços desajustados na gama média deixam os consumidores sem alternativas viáveis. Até que a AMD reveja a sua estratégia de preços de forma agressiva ou a Intel consiga lançar produtos capazes de perturbar o mercado de forma consistente, a Nvidia vai continuar a ditar as regras de forma isolada e sem qualquer oposição de peso.