Durante duas semanas, Monsaraz vai “mascarar-se” de um pedaço de Marte na Terra. Seis astronautas análogos, sob o comando do português João Lousada, vão viver num habitat, fazer «experiências e comunicar com uma equipa em Viena através de mensagens com dez minutos de atraso».
A simulação integra a missão internacional AMADEE-27, liderada pelo Fórum Espacial Austríaco (OeWF), e acontece na Monsaraz Analog Research Station, com 17 experiências desenvolvidas por 22 instituições de investigação. INESC TEC, NUCLIO e Universidade de Évora são os parceiros portugueses, com apoio da Tekever. O Observatório do Lago Alqueva acolhe a iniciativa e assegura a gestão e a logística, enquanto a Gebrüder Weiss participa como parceiro logístico internacional.
Durante as saídas do habitat, os participantes vão usar um simulador de fato espacial com cerca de cinquenta quilos, um equipamento que «limita a mobilidade das articulações e o campo de visão, além de exigir comunicação exclusivamente por rádio». Nestas condições, terão de «executar experiências e testar tecnologias, protocolos médicos e sistemas robóticos que poderão ter aplicação em futuras expedições».
Outra dificuldade será introduzida nas comunicações com o Centro de Apoio à Missão, em Viena. As mensagens terão um «atraso artificial de dez minutos, para simular a distância entre os dois planetas e obrigar a tripulação a tomar decisões sem resposta imediata». Na Áustria, especialistas de tecnologia, medicina, robótica, exploração espacial e meteorologia vão «acompanhar a saúde dos participantes, organizar as tarefas diárias e encaminhar os dados para as equipas científicas».
João Lousada vai coordenar as operações da tripulação, já que trabalhou «mais de dez anos» nas operações da Estação Espacial Internacional, como director de voo. «Liderar esta missão no meu País de origem é algo verdadeiramente especial», conclui o gestor de missão na Agência Espacial Europeia e responsável pelo telescópio espacial PLATO.
