As pulseiras de actividade sem ecrã dispensam mostradores para registar dados de saúde, sono e movimento. A autonomia prolongada permite usá-las durante a noite, uma vantagem para quem quer acompanhar o descanso sem ter de retirar o dispositivo para o carregar.
Neste segmento, há, pelo menos, três “tubarões”: Cirq (Garmin), Loop (Polar) e, talvez, o maior destes, a Whoop, que apareceu no mercado aliada a Cristiano Ronaldo. É neste “tanque” que entra a DuckDik Sense, lançada em Julho de 2026 por uma empresa fundada em 2021, em Guadarrama, perto de Madrid.
Ainda sem a notoriedade das suas rivais, a marca quer distinguir-se pela forma como interpreta os dados recolhidos: «Medir é fácil; o difícil é transformar todos esses dados em algo que uma pessoa entenda e possa usar hoje», resume Alberto Lorente (na foto de destaque), cofundador e CEO da DuckDik, em entrevista à PCGuia.
O preço é outro argumento: a Sense, ao custar 89 euros e ao não exigir subscrição, parece logo mais atractiva que a Whoop, que nos obriga a subscrever um plano para ter acesso ao equipamento e ao serviço: as anuidades começam nos 199, passam pelos 264 e chegam aos 399 euros. A Loop e a Cirqa, como a DuckDik Sense, não têm subscrição, mas são cem euros mais caras: 179 e 199 euros, respectivamente.
Face às concorrentes, Alberto Lorente diz que a diferença «não está na quantidade de sensores», mas na «interpretação dos resultados e nas acções que a aplicação permite executar». Esta pulseira mede directamente o pulso — de «cinco em cinco minutos durante o uso normal e em tempo real durante o exercício» — e o movimento, através de um «sensor óptico de frequência cardíaca e de um acelerómetro». Contudo, os passos, a distância, as calorias, o VO₂máx e as fases do sono são «estimativas do software» – a distância tem em «conta a passada, calibrada com sessões de GPS do telemóvel».
A aplicação apresenta ainda três indicadores próprios: ‘Energia’, ‘Recuperação’ e ‘Esforço’. Para os calcular, «considera o pulso em repouso e durante o exercício, o sono, a actividade diária e o histórico de cada utilizador». O CEO afirma que o pulso, ao longo do dia e em repouso, bem como a actividade diária, são os dados em que a empresa «tem mais confiança».
Já os indicadores de ‘Esforço’ e ‘Recuperação’ «exigiram mais trabalho para produzir resultados coerentes de dia para dia e compreensíveis para quem usa a pulseira». Pelo facto de não ter ecrã, a autonomia é um dos argumentos deste tipo de pulseiras. No caso da DuckDik Sense, Alberto Lorente fala em «45 dias».
A pulseira tem hardware concebido pela DuckDik e fabricado por um «parceiro industrial na Ásia». Já a app DuckDik Health, os algoritmos de sono e dos três indicadores, e o coach de inteligência artificial são desenvolvidos pela própria empresa. No caso do treinador virtual, as indicações e reacções são geradas com «modelos de linguagem de terceiros», mas a DuckDik define os «dados que lhes fornece, as tarefas disponíveis na aplicação e a forma como as respostas são apresentadas».
Sobre a comunicação de dados, Albeto Lorente diz que os «sinais em bruto permanecem no telemóvel, onde decorrem os cálculos», uma vez que a conta sincroniza com servidores na União Europeia «apenas valores já resumidos». Sem Internet, a aplicação «continua a calcular e a mostrar» o sono, a ‘Energia’, a ‘Recuperação’, o ‘Esforço’ e o histórico. Neste caso, a pulseira guarda «até sete dias de dados e transfere-os para o telemóvel quando volta a ligar-se».
Mas nem tudo está no ponto: a detecção da hora de dormir é «um dos problemas que a equipa ainda trabalha», sobretudo nos casos de quem «faz turnos, dorme durante o dia ou tira sestas». O CEO diz que a DuckDik já «reescreveu várias vezes o sistema» e, quando faltam dados para calcular um indicador, a aplicação «avisa o utilizador em vez de apresentar um valor sem base suficiente».
Alberto Lorente, que trabalha «há mais de trinta anos em tecnologia e telecomunicações», passou por empresas como Skype, Simyo, MásMóvil, Truphone, DaWanda e Sprint. O nome DuckDik surgiu, conta à PCGuia, durante uma procura informal por nomes de animais e sons divertidos: «Gostámos, achámos graça, e ficou».
