O fundador da Microsoft acredita que os governos mundiais estão muito atrasados na preparação para lidar com a inteligência artificial. Numa entrevista recente à agência Reuters, Bill Gates deixou um aviso claro sobre os riscos que esta tecnologia representa para a força de trabalho e para a sociedade em geral. O filantropo defende que nenhuma nação está a aprofundar o tema com a urgência necessária para mitigar os potenciais impactos negativos na economia global.
Uma ameaça de proporções cinematográficas
Para ilustrar a urgência da situação, o multimilionário comparou a chegada da inteligência artificial aos filmes de ficção científica onde uma inteligência extraterrestre aterra no planeta. Nessas narrativas cinematográficas, os Estados Unidos e a China unem esforços de forma mágica para resolver o problema global. Bill Gates sublinha que a tecnologia já está entre nós e que os líderes mundiais devem agir exactamente como nessas obras de ficção. Com esse objectivo em mente, o empresário já iniciou conversações com o presidente norte-americano Donald Trump para partilhar as suas preocupações e está a tentar agendar um encontro com o presidente chinês Xi Jinping.
Embora as preocupações com o impacto no emprego possam parecer menores quando comparadas com cenários apocalípticos, como os casos em que a Anthropic detecta cientistas a usar inteligência artificial para criar armas biológicas, os governos não podem ignorar a reestruturação do mercado de trabalho. As empresas podem começar a substituir funcionários por ferramentas automatizadas a um ritmo alarmante. O director executivo da Microsoft AI chegou mesmo a prever que a tecnologia poderá substituir todos os trabalhos de escritório num prazo de 18 meses. Perante este cenário, Bill Gates argumenta que as autoridades precisam de ter planos concretos, sugerindo até a criação de categorias profissionais exclusivamente reservadas a seres humanos.
As medidas exactas para proteger os cidadãos desta turbulência tecnológica ainda não reúnem consenso. Nos Estados Unidos, o senador Bernie Sanders propôs a criação de um fundo soberano que deteria participações directas nas empresas do sector, tendo também apresentado legislação que equipara o desenvolvimento de superinteligência artificial à construção de armas nucleares não autorizadas. Do outro lado do espectro político, a actual administração norte-americana tem desvalorizado estes alertas, classificando-os como um embuste. A nível internacional, os governos tentam equilibrar a regulação com a inovação, numa altura em que a União Europeia obtém acesso ao modelo de inteligência artificial Mythos 5 para avaliar as suas capacidades e riscos.
O potencial positivo da tecnologia
Apesar dos avisos severos, Bill Gates continua a acreditar no enorme potencial benéfico destas ferramentas. A Fundação Gates planeia investir pelo menos 1000 milhões de dólares nos próximos 2 anos para democratizar o acesso à tecnologia. O objectivo é ajudar as populações mais desfavorecidas do mundo, garantindo que a inovação é gerida de forma adequada e distribuída com equidade. Este financiamento será direccionado para apoiar a utilização de sistemas inteligentes nas áreas da educação, saúde e agricultura. O projecto prevê ainda a expansão dos grandes modelos de linguagem para que consigam funcionar em todos os idiomas falados no planeta Terra.
