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Meta paga 18 mil milhões de dólares para evitar julgamento sobre vício de jovens

A dona do Facebook e do Instagram aceitou pagar uma verba multimilionária e alterar profundamente as regras de utilização para menores, a fim de evitar um longo julgamento nos tribunais norte-americanos.

Pedro Tróia
Publicado em 28 de Agosto, 2026
Tempo de leitura: 4 min
Meta
Foto por Julio Lopez em Pexels.
Neste artigo
  • Novas regras para os mais jovens
  • O impacto na indústria das redes sociais

A dona do Facebook e do Instagram aceitou pagar até 18 mil milhões de dólares e reformular a forma como os menores utilizam as suas plataformas, o que encerra assim um processo judicial que acusava a empresa de desenhar as redes sociais para viciar as crianças. O acordo evita a continuação de um julgamento que tinha começado em meados de Agosto na cidade de Oakland e que se previa durar até ao início de Outubro. Desta forma, Mark Zuckerberg já não terá de prestar declarações em tribunal, embora o responsável máximo do Instagram, Adam Mosseri, já o tivesse feito antes de o entendimento ser alcançado, segundo avança o site TechSpot.

O caso remonta ao ano passado, altura em que dezenas de estados norte-americanos processaram a gigante tecnológica por alegadamente ter criado mecanismos como o deslizamento infinito, as notificações constantes e os algoritmos de recomendação com o propósito específico de maximizar o tempo que os mais jovens passam nas aplicações. A acusação referia ainda que a empresa enganou o público sobre os danos causados e recolheu dados de crianças sem o consentimento dos pais. O entendimento abrange agora quase todo o território dos Estados Unidos, ficando de fora regiões como o Texas e o Novo México, que já tinham garantido indemnizações avultadas em processos separados. Em termos financeiros, a tecnológica compromete-se a pagar doze mil milhões de dólares garantidos ao longo da próxima década, valor que pode aumentar substancialmente caso plataformas rivais adoptem regras semelhantes.

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Novas regras para os mais jovens

As alterações nas contas dos adolescentes são profundas e incluem um limite diário combinado de duas horas de utilização entre o Instagram e o Facebook, ativado por defeito e que apenas os pais podem levantar. Este tempo exclui as mensagens e os conteúdos longos, sendo que o limite pode descer para apenas uma hora se a concorrência alinhar nas mesmas políticas. A par destas restrições, a plataforma introduz pausas produtivas obrigatórias após quinze minutos de visualização contínua, bloqueia o acesso por defeito entre a meia-noite e as seis da manhã e desactiva as notificações durante o período nocturno e o horário escolar. Os utilizadores menores deixam também de ver o número de gostos nas publicações e perdem o acesso a filtros de beleza ou de cirurgia estética. Os pais passam a ter a possibilidade de forçar um feed cronológico sem algoritmos como padrão, num pacote de medidas que engloba ainda uma verificação de idade mais rigorosa e a supervisão de um auditor independente durante dez anos.

O impacto na indústria das redes sociais

Apesar da dimensão do acordo, considerado por alguns analistas como a maior vitória na defesa do consumidor desde os processos contra a indústria tabaqueira nos anos noventa, há quem defenda que as medidas não são suficientemente drásticas. A ausência de uma obrigatoriedade para desactivar as recomendações algorítmicas por defeito e a manutenção da publicidade direccionada aos adolescentes levam alguns especialistas a considerar que o desfecho acaba por ser favorável à empresa liderada por Mark Zuckerberg. Este é já o terceiro grande revés judicial da tecnológica este ano relacionado com a segurança infantil, a que se soma a outros problemas internos recentes, como a confirmação de que um funcionário esteve envolvido num esquema de partilha ilegal de conteúdos para adultos.

A eficácia destas novas regras de protecção dependerá agora da resposta do mercado, com a tecnológica a pressionar publicamente o YouTube e o TikTok para igualarem os seus termos, ao argumentar que os jovens tendem a migrar para outras aplicações quando enfrentam restrições.

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