Os funcionários e deputados do Parlamento Europeu vão ter acesso a uma plataforma interna de inteligência artificial. A nova ferramenta, batizada de EPGenAI Hub, surge para oferecer uma alternativa segura às opções públicas que já circulam pela Internet, mitigando os riscos de fuga de informação sensível.
Testes e implementação a decorrer
A plataforma encontra-se a ser testada e pode chegar às mãos dos utilizadores já no próximo mês de Setembro. O objectivo principal é permitir que o pessoal do Parlamento Europeu consiga trabalhar de forma mais inteligente e rápida, sem comprometer a segurança dos dados.
Actualmente, existe uma versão beta que divide a oferta para os utilizadores em duas vertentes distintas:
- Modelos de peso aberto executados localmente na infra-estrutura do próprio Parlamento, que garantem a retenção total dos dados e incluem opções como o Llama da Meta, o GPT-OSS da OpenAI e o Mistral Small.
- Modelos externos de maior potência processados remotamente, destinados a tarefas mais complexas e exigentes, onde se inserem o ChatGPT da OpenAI e o Claude Sonnet da Anthropic.
A ironia dos modelos americanos
Apesar de a União Europeia estar a aplicar regulamentações rigorosas às empresas tecnológicas americanas e a tentar criar alternativas locais, a maioria dos modelos presentes no EPGenAI Hub tem origem nos Estados Unidos, sendo o Mistral Small a exceção francesa.
O serviço de imprensa do Parlamento já veio esclarecer que a oferta de modelos está a passar por uma revisão. A intenção a curto prazo é dar prioridade a opções de código aberto e a modelos soberanos da União Europeia, fornecidos por empresas de computação em nuvem recentemente contratadas pela Comissão Europeia.
Segurança e modernização tecnológica
A preocupação com a protecção de dados nas instituições europeias não é um tema novo. Anteriormente, o Parlamento Europeu já tinha trocado o motor de busca da Google pelo Qwant, uma alternativa francesa, e desactivado as funções de inteligência artificial nos tablets dos deputados devido a receios de cibersegurança.
Esta procura por um ecossistema digital mais blindado reflecte a evolução do próprio mercado tecnológico. À medida que a indústria avança com novos processadores focados em IA, actualiza as linhas de computadores compactos de alto desempenho ou introduz ecrãs com painéis de última geração, as instituições governamentais sentem a necessidade de garantir que o software acompanha o hardware num ambiente totalmente controlado e livre de intercepções externas.
