Um algoritmo de criptografia resistente a computadores quânticos, que estava a ser avaliado para se tornar um padrão oficial nos Estados Unidos, acabou por ser retirado da corrida. A decisão surge depois de o modelo de segurança da Anthropic ter ajudado a encontrar uma falha que comprometeu o sistema, segundo o site Ars Technica.
O fim do algoritmo HAWK
Conhecido como HAWK, este esquema de assinatura digital foi desenhado para resistir a futuros ataques de computadores quânticos. O sistema já tinha sobrevivido a duas rondas de testes do NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA), que avalia a segurança de algoritmos pós-quânticos através de testes exaustivos.
O HAWK estava a passar pela terceira fase de avaliação, criada precisamente para detectar o tipo de vulnerabilidades que a inteligência artificial ajudou a expor. Após o anúncio dos resultados por parte da Anthropic, o programador responsável pelo HAWK decidiu retirar o projecto de definitivamente.
O papel do modelo Mythos
Antes mesmo deste desfecho, a Anthropic já celebrava os resultados obtidos ao submeter dois problemas criptográficos ao seu modelo de segurança. A inteligência artificial encontrou fraquezas nos problemas matemáticos que servem de base ao HAWK e, em separado, à famosa cifra AES, amplamente utilizada por empresas em todo o mundo.
Esta capacidade analítica demonstra o enorme potencial da ferramenta, numa altura em que a disponibilização desta tecnologia ao público em geral começa a transformar a forma como olhamos para a cibersegurança e para a detecção de ameaças.
Limitações e o futuro da segurança
Apesar do impacto da descoberta, existem algumas ressalvas importantes a ter em consideração para compreender a dimensão real do problema:
- Resultados de natureza incremental: As descobertas não quebram de forma imediata os sistemas de criptografia dos quais dependemos actualmente, mas expõem métodos teóricos para reduzir de forma moderada o esforço computacional que seria necessário para contornar estas defesas no futuro.
- Testes em versões enfraquecidas: Os sistemas avaliados pela inteligência artificial eram variantes limitadas das suas especificações formais, conhecidas como instâncias de desafio, que são fornecidas pelos próprios autores para revisão pelos pares, sendo que as versões reais são consideravelmente mais robustas em ambientes de produção.
O avanço rápido destas ferramentas levanta questões pertinentes sobre o controlo da tecnologia. Enquanto os legisladores debatem a criação de mecanismos para desligar as IA, líderes da indústria continuam a explorar todas as opções disponíveis no mercado global, chegando mesmo a defender a adopção de alternativas asiáticas para manter a competitividade no sector.
