O director executivo da Nvidia passou uma semana a ver a avaliação da sua empresa a ser atingida pela ameaça de um modelo chinês de pesos abertos. A sua resposta foi defender publicamente a tecnologia. Em declarações feitas no Texas, Jensen Huang afirmou que as empresas americanas devem ser absolutamente livres de executar modelos chineses. “Estes modelos chineses são excelentes”, referiu o responsável, citado pelo site TechSpot. Quando questionado sobre a possibilidade de a China substituir os laboratórios americanos, foi peremptório ao afirmar que existe “zero possibilidade”.
O impacto no mercado e a coligação tecnológica
A controvérsia surge após a Moonshot AI ter lançado o Kimi K3 em meados de Julho de 2026. Os avaliadores independentes colocaram este modelo num lugar de destaque no ranking de modelos de IA, apenas atrás de gigantes como o Claude Fable 5 da Anthropic e o GPT-5.6 Sol da OpenAI. O mercado financeiro reagiu com receio. O Índice de Semicondutores de Filadélfia caiu 12,5% numa semana, enquanto as acções de IA chinesas sofreram quedas ainda mais acentuadas. No entanto, Huang desvaloriza o pânico, argumentando que Wall Street interpretou mal o impacto do Kimi, tal como já tinha feito com o DeepSeek.
Para reforçar a sua posição, Jensen Huang estreou uma conta na rede social X para partilhar uma carta assinada pela Nvidia e por mais de duas dezenas de empresas tecnológicas, incluindo a Microsoft e a Meta. A coligação apela aos legisladores dos Estados Unidos para manterem os pesos dos modelos avançados acessíveis e expandirem os recursos de computação. A lógica do CEO é simples: a IA gratuita impulsiona a adopção e, consequentemente, a procura por hardware.
For my first post, I’m sharing a letter @NVIDIA signed on why open models matter.
AI will transform every industry, power every company, and be built by every country.
Open models strengthen safety and cybersecurity, accelerate innovation and diffusion, and enable sovereignty.… pic.twitter.com/t02bi51N4C
— Jensen Huang (@JensenHuang) July 24, 2026
A segurança através da transparência
O líder da Nvidia rejeita a ideia de que descarregar um modelo chinês funcione como uma porta traseira para Pequim. Huang sublinha que é possível inspeccionar os pesos, ajustá-los e executar tudo sem ligação à Internet. Na sua visão, a abertura torna o ecossistema mais seguro, pois há mais pessoas a procurar falhas. Trancar tudo num sistema fechado cria um único ponto de falha, tornando o mundo muito mais vulnerável.
Aplicando a mesma lógica às empresas americanas, Huang defende que a Anthropic deveria disponibilizar o Claude Mythos, o seu modelo de cibersegurança actualmente restrito a um grupo de parceiros. O executivo argumenta que reter esta tecnologia não beneficia os Estados Unidos, lembrando que os modelos abertos já estão disponíveis de qualquer forma.
A resposta de Washington
As declarações de Huang surgiram poucas horas depois de o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, ter afirmado que a administração está a investigar se os modelos de IA chineses foram construídos com base em propriedade intelectual americana roubada. Bessent ameaçou com sanções caso se comprove que os modelos estrangeiros estão a copiar as empresas dos EUA, apontando para a existência de “marcas de água” americanas no código chinês. Num mundo digital onde o engano e o roubo de dados são temas centrais de debate, o governo americano pondera agora obrigar as empresas a divulgar aos clientes quando estão a utilizar modelos de origem chinesa.
