A inteligência artificial generativa continua a somar recordes impressionantes. A aplicação do ChatGPT acaba de alcançar a marca de mil milhões de utilizadores activos por mês, um feito alcançado em apenas três anos e meio após o seu lançamento em Novembro de 2022. De acordo com os dados partilhados pelo site TechSpot, este crescimento torna a ferramenta da OpenAI na aplicação mais rápida de sempre a atingir este número, ultrapassando o anterior detentor do recorde, o Google Maps, que demorou cerca de cinco anos a chegar ao mesmo patamar.
Esta adopção massiva reflecte uma mudança profunda na forma como as pessoas interagem com a tecnologia no dia a dia. De facto, a utilização destas ferramentas no ambiente laboral disparou nos últimos tempos, provando que a IA veio para ficar, apesar das críticas que frequentemente a rodeiam.
A concorrência aperta o passo
Embora o ChatGPT seja o líder indiscutível do mercado, com um aumento de 62% no número de utilizadores face ao ano anterior, os rivais estão a crescer a um ritmo alucinante. As aplicações Claude e Meta AI registaram aumentos anuais de 640% e 973%, respectivamente. As melhorias nos modelos e um sentimento de mercado mais positivo têm impulsionado o crescimento destas alternativas.
Para manter a liderança, a empresa liderada por Sam Altman tem procurado inovar constantemente, como se viu recentemente ao disponibilizar melhorias significativas na capacidade de retenção de informação do seu chatbot.
Polémicas e desinstalações
O caminho da OpenAI não tem sido isento de obstáculos. No início deste ano, a empresa assinou acordos com o Pentágono, o que gerou uma forte reacção negativa por parte dos consumidores. No dia 28 de Fevereiro, logo após o anúncio deste acordo, as desinstalações do ChatGPT dispararam cerca de 295%. Este episódio beneficiou directamente a Anthropic, fazendo com que o Claude se tornasse a aplicação gratuita mais descarregada no iPhone.
A Anthropic, por seu turno, recusou permitir que o governo utilizasse os seus modelos para vigilância interna em massa ou armas autónomas. No entanto, relatos recentes indicam que a NSA está a utilizar o modelo Claude Mythos para operações cibernéticas ofensivas.
Além das questões governamentais, a OpenAI enfrenta outros desafios no ecossistema móvel, existindo a possibilidade de avançar com processos judiciais contra parceiros tecnológicos devido a problemas de implementação nos sistemas operativos.
O paradoxo da inteligência artificial
Curiosamente, a utilização de ferramentas de IA generativa continua a crescer ao mesmo tempo que a opinião pública sobre a tecnologia parece piorar. Entre as principais preocupações destacam-se:
- A perda de postos de trabalho em diversos sectores, um tema que continua a gerar acesos debates sobre o futuro do mercado laboral e a necessidade urgente de requalificação profissional para os trabalhadores afectados.
- O impacto ambiental e a construção de novos centros de dados, instalações que consomem enormes quantidades de energia e água, gerando protestos cada vez mais audíveis por parte de comunidades locais e activistas ecológicos.
A OpenAI chegou mesmo a publicar um relatório a indicar que utilizadores chineses estariam a tentar fomentar um sentimento contra os centros de dados nos Estados Unidos. A empresa admitiu que estes esforços tiveram pouco efeito, uma vez que a oposição a estas infraestruturas já é bastante forte a nível interno por parte dos cidadãos norte-americanos.