Quando os utilizadores pagam uma mensalidade por plataformas de inteligência artificial, esperam uma experiência livre de limites irritantes. No entanto, após os anúncios do mais recente evento I/O, a Google implementou ajustes estruturais silenciosos nos seus planos pagos. Agora, os subscritores do Gemini Pro e Ultra estão a lidar com restrições de utilização repentinas, o que está a gerar bastante frustração, segundo o site Android Headlines.
Uma nova forma de calcular os limites
A mudança central reside na forma como a plataforma calcula a utilização. De acordo com o site, a Google introduziu uma métrica de rastreio complexa baseada no poder de computação. Em vez de oferecer um limite diário simples de pedidos, o novo sistema avalia dinamicamente a complexidade do pedido do utilizador, as funcionalidades activas envolvidas e o histórico de tamanho da conversa.
Assim que um subscritor esgota a sua alocação, uma restrição rigorosa de cinco horas bloqueia o acesso ao modelo premium. Como as conversas longas exigem que a inteligência artificial volte a ler registos de contexto extensos, as interacções regulares estão a esgotar os limites dos utilizadores a uma velocidade sem precedentes. Vários subscritores relataram que fazer menos de cinco pedidos consecutivos para resumir um documento, depurar código ou gerar uma imagem esgotou metade ou mais de toda a sua quota de cinco horas. Tarefas de produtividade, gerar e descarregar ficheiros do Microsoft Office, tornam-se agora muito mais difíceis de gerir.
Personalização e criação de vídeo agravam o problema
Para piorar a frustração, os utilizadores no subreddit GeminiAI descobriram que as definições de personalização da plataforma reduzem agressivamente o limite de utilização disponível quando estão activadas. Além disso, os criadores que utilizam o modelo avançado para geração de multimédia notaram que compilar menos de cinco vídeos apagou completamente toda a sua quota do plano Ultra, como avança o site Piunikaweb. Esta situação surge na altura em que a Google lançou o novo modelo de inteligência artificial Gemini Omni, o que torna as restrições ainda mais limitativas para os profissionais.
A transição tem-se revelado caótica para o ecossistema de programadores. Chega ao mesmo tempo que falhas generalizadas no serviço, como o “Erro 253” no Google Flow e uma actualização disruptiva do Antigravity 2.0. Para agravar a situação, os utilizadores queixam-se de que, quando a elevada procura sobrecarrega a infra-estrutura, a plataforma despromove automaticamente a experiência para o modelo Flash, mais rápido, mesmo que tenham seleccionado especificamente o Pro. Até mesmo as tentativas falhadas de geração de respostas devido à sobrecarga dos servidores são contabilizadas como pedidos válidos para as quotas.
Uma tendência em toda a indústria
A Google não é a única a ajustar a sua infra-estrutura premium. Empresas concorrentes como a Anthropic utilizam há já muito tempo janelas de cinco horas que obrigam os utilizadores a fragmentar constantemente as tarefas em janelas de chat separadas para conservar tokens. De forma semelhante, a xAI reduziu recentemente os limites para os subscritores do Grok sem aviso prévio, o que levou a uma promessa vaga de Elon Musk de aumentar as quotas no futuro. Até os utilizadores do Perplexity se têm queixado recentemente de situações semelhantes.
No entanto, a falta de comunicação clara e directa por parte da Google está a causar frustração. A empresa lançou uma secção de “Utilização” com a ideia de que os utilizadores poderiam monitorizar exactamente a sua quota de inteligência artificial. Mas, em vez de trazer clareza, a situação está a provocar ainda mais confusão sobre o quanto é possível utilizar a ferramenta através do browser ou das aplicações dedicadas.