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Operação da Europol encerra serviço de VPN usado em ataques informáticos

A Europol desmantelou a First VPN, uma rede utilizada para mascarar ataques informáticos, numa operação global que apreendeu dezenas de servidores em 27 países.

Pedro Tróia
Publicado em 22 de Maio, 2026
Tempo de leitura: 4 min
Europol
Imagem - Wikipedia/OSeveno
Neste artigo
  • Uma rede global de servidores apreendidos
  • O que distinguia a First VPN
  • Privacidade legítima versus cibercrime

As autoridades europeias deram um golpe duro no cibercrime. Segundo o site Tom’s Hardware, uma iniciativa liderada pela Europol, baptizada Operação Saffron, conseguiu desmantelar a First VPN, um serviço frequentemente utilizado para mascarar ataques de ransomware e outras actividades ilícitas na Internet.

Uma rede global de servidores apreendidos

A operação resultou na apreensão de 33 servidores espalhados por 27 países. As autoridades conseguiram identificar 506 utilizadores e seguiram o rasto digital até uma residência na Ucrânia. O relatório da Europol, citado pelo mesmo portal, indica que a Operação Saffron teve a participação de 18 países, onde se destacam França, Países Baixos, Luxemburgo, Roménia, Suíça, Ucrânia e Reino Unido.

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Os domínios normais da First VPN e as respectivas versões “.onion” (acessíveis através do browser Tor) foram confiscados e exibem agora um aviso oficial da polícia a confirmar o encerramento da infra-estrutura.

O que distinguia a First VPN

A First VPN promovia-se como um serviço “à prova de bala”. A plataforma garantia anonimato total, afirmava não cooperar com qualquer autoridade judicial e dizia não estar sujeita a nenhuma jurisdição. Além disso, a publicidade era feita quase em exclusivo em fóruns de cibercrime de língua russa.

A Europol referiu que este serviço surgia em quase todas as investigações de crimes digitais que a agência estava a conduzir. A investigação começou em 2021 e culminou agora no desmantelamento total da rede.

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Privacidade legítima versus cibercrime

Existe uma linha ténue, mas fundamental, entre serviços focados na privacidade e plataformas criadas para facilitar crimes. Serviços populares como a Mullvad ou a ProtonVPN oferecem políticas estritas de não retenção de dados, mas operam dentro da legalidade e de forma transparente.

A título de exemplo, a Mullvad recebeu seis agentes da polícia sueca nas suas instalações em 2023, que saíram de mãos a abanar por não existirem dados para entregar. De forma semelhante, no ano passado, um tribunal grego ilibou o director executivo da Windscribe de acusações de cumplicidade em crimes informáticos. Os servidores desta empresa usavam apenas discos na memória RAM, sem armazenamento permanente, o que impediu a recolha de informações quando as autoridades neerlandesas os desligaram para inspecção.

A comunidade online tem expressado preocupação com o excesso de zelo legal nestas apreensões. A ironia reside no facto de a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD) defenderem a privacidade digital como um direito básico. As empresas que fornecem VPN legítimas respeitam estas regras, mas continuam sujeitas a acções policiais baseadas em leis nacionais, onde a necessidade de mandados varia consoante a jurisdição.

O conceito de privacidade digital na União Europeia está sob pressão devido a iniciativas como o “ProtectEU“, que exige a retenção de dados para fins policiais, ou o polémico “Chat Control“, que permitiria analisar comunicações privadas a pretexto de proteger menores. Esta última medida, para já, tem sido sucessivamente chumbada, mas mantém o debate aceso sobre o futuro da privacidade online.

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Etiquetas:EuropolVPN
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